A Análise do Desempenho de Aursnes e a Necessidade de Ajustes Táticos no Benfica
Não se deixem iludir pelo título. Aursnes é um dos melhores jogadores da Liga, amplamente reconhecido por suas qualidades. Ele é frequentemente mencionado em camisetas nas redes sociais, que acredito que fiquem bem em qualquer um que as vista. Sua visão de jogo, leitura tática, solidariedade e desempenho estão, na maioria das vezes, acima da média. No entanto, o norueguês não pode atuar como o 6 ou mesmo como o 8 em uma equipe que busca o ataque nas principais competições.
Embora tenha desempenhado essas funções no Feyenoord, e tenha sido contratado com essa expectativa, mantenho minha posição. A situação torna-se ainda mais complicada quando ele está ao lado de um jogador como Ríos, que também comete muitos erros.
É evidente que Enzo Barrenechea é fundamental no meio-campo do Benfica. Sua capacidade de distribuição é superior à dos outros médios. Aursnes, apesar de tomar decisões geralmente acertadas, apresenta uma qualidade de passe que deixa a desejar. Além disso, quando pressionado, ele se mostra extremamente desconfortável, como se pode observar nas poucas vezes em que foi utilizado nessa função. Por outro lado, ele brilha em posições mais avançadas, onde consegue simplificar o jogo e contribuir para os ataques. A diferença está no local onde a bola é perdida, onde o risco varia, assim como no espaço que se abre atrás das defesas e nas distâncias entre os setores.
Acredito que, para Mourinho, escalar Aursnes diante do Gil Vicente seria a decisão mais natural, especialmente por não ter a mesma experiência que os técnicos anteriores com o jogador norueguês. No entanto, os encarnados acabaram falhando em termos futebolísticos — ainda que, por sorte, não no resultado —, especialmente devido à fraca disposição para recuar entre os centrais e ajudar na construção do jogo, algo que não faz parte de suas rotinas. Assim, toda a defesa ficou vulnerável e exposta, sobrecarregando António Silva, que, exceto por um passe longo para Lukebakio, cometeu erros.
Se se diz que uma das boas práticas que Lage implementou foi colocar os jogadores nas posições corretas, então Mourinho deve começar por aí. Isso pode envolver posicionar Aursnes mais à frente, utilizar Ivanovic como um atacante profundo em vez de um extremo, e permitir que Pavlidis atue também como elemento de ligação. Além disso, é importante desencontrar Dedic e Lukebakio, evitando que o belga anule o bósnio, que prefere atuar mais profundo pela direita. Sim, o cansaço pode ser um fator. Mas existem também jovens jogadores ansiosos para mostrar seu valor. É preciso confiar.