Benfica Brilha em Nice com Exibição Coletiva Impressionante
O Benfica apresentou uma atuação sólida e equilibrada em Nice, possivelmente uma das suas melhores exibições coletivas desde que Bruno Lage assumiu o comando da equipe. Este desempenho não foi resultado do acaso, mas sim de uma disposição coletiva dos principais jogadores do time encarnado. A performance da equipe, na qual Ivanovic merece destaque especial, foi predominantemente coletiva, o que não apenas a torna notável, mas também levanta questões sobre o futuro.
Bruno Lage optou por abandonar as formações 4-2-3-1 e 4-4-3, que costumava utilizar, e apostou em um 4-4-2 clássico, interpretado de maneira moderna. Essa mudança permitiu que o time exercesse pressão alta sobre o adversário e mantivesse a posse de bola, controlando o ritmo da partida.
É importante destacar que o estilo de jogo do Benfica na Côte d’Azur foi possível devido ao esforço defensivo de todos os jogadores, sem a necessidade de ajustes para compensar desequilíbrios provocados pela presença de um jogador virtuoso, mas que já não colabora sistematicamente na recuperação da bola, como é o caso de Angel Di María.
Com Pavlidis e Ivanovic desempenhando bem a primeira linha de pressão na saída de bola do Nice, eles contaram com o apoio de uma linha média muito atuante, composta por Aursnes, Berrenechea, Richard Ríos e Dahl. Essa estrutura permitiu que o quarteto defensivo, liderado por Otamendi e com a profundidade de António Silva, subisse no campo, mantendo a equipe coesa, como costumava dizer Sven-Goran Eriksson.
Antes de analisarmos o papel dos dois atacantes, vamos focar primeiro nas alas e, em seguida, no duplo-pivot. É relevante observar que, em termos de dinâmica, os movimentos do lado direito do Benfica diferem significativamente dos do lado esquerdo. À direita, a vocação ofensiva de Dedic, que provoca desequilíbrios no adversário, é complementada por Frederick Aursnes, que raramente deixa o flanco desguarnecido, aumentando a eficácia do binômio Berrenechea/Ríos.
Além disso, outra nuance que merece destaque é a comparação entre Dedic e Carreras, mesmo sendo de lados opostos. Na temporada anterior, sempre que o Benfica precisava atuar com três centrais, Carreras se posicionava ao lado de António Silva e Otamendi, enquanto a lateral era, na maior parte das vezes, ocupada por Akturkoglu. Neste ano, essa solução se mantém, mas com novos intérpretes: Dedic se junta a António Silva e Otamendi, enquanto Aursnes assume a lateral, onde se destaca.
No lado esquerdo, o estilo de Dahl é mais conservador, focando em dar suporte ao ala, inicialmente Schjelderup, que teve uma exibição positiva, e depois Prestianni. Os jogadores que ocupam o duplo-pivot, o argentino Berrenechea como 'seis' e o colombiano Ríos como 'oito', têm se complementado bem, com Ríos assumindo um papel criativo e de ‘playmaker’, enquanto Berrenechea oferece solidez defensiva e confiabilidade nos passes.
Sobre o goleiro, Samuel Soares não pode ser descartado, e os centrais têm uma boa entrosagem. Trubin parece mais confiável com os pés, enquanto António Silva se mostra determinado a evitar os erros infantis que o comprometeram na última temporada. Otamendi, por sua vez, continua sendo o líder incontestável da equipe, com Tomás Araújo atuando como um seguro para Bruno Lage.
No ataque, Pavlidis teve uma evolução positiva na temporada 2024/25, consolidando seu lugar em meio à concorrência com Belotti, Arthur Cabral e Amdouni. Contudo, frequentemente, o atacante grego ficou isolado, enfrentando a marcação de pelo menos dois defensores. A chegada de Ivanovic, de 21 anos, muda o cenário, já que as preocupações dos adversários aumentam, criando mais espaços em campo. Com base no que foi visto em Nice, o croata demonstra capacidade para um entrosamento rápido e intuitivo com Pavlidis.
Há um ano, o Benfica contava com quatro jogadores para a posição de atacante, mas apenas um deles era utilizado. Nesta temporada, apenas Henrique Araújo se junta a Pavlidis e Ivanovic, em um contexto que favorece a utilização de dois atacantes simultaneamente. Portanto, é evidente que o Benfica deve buscar mais um atacante no mercado. Além disso, mesmo que Akturkoglu não se transfira para o Fenerbahçe, a lesão prolongada de Bruma, juntamente com a saída de Di María, torna essencial a contratação de outro extremo, que possua não apenas habilidades ofensivas, mas também as qualidades defensivas exigidas pelo 4-4-2 observado em Nice.
Embora seja apenas uma previsão, é pouco provável que o Benfica não alcance o ‘play-off’ da Champions, assim como Feyenoord ou Fenerbahçe. Portanto, garantir esses reforços operacionais para essa fase, idealmente com a adição de outro ‘oito’, é a missão que os responsáveis encarnados têm pela frente, cientes do que está em jogo nesta eliminatória de acesso à fase regular da Liga dos Campeões.