Benfica Mostra Força em Vitória Convincente sobre o Rio Ave
No contexto de uma campanha presidencial que já cansa os portugueses, especialmente os benfiquistas, que ainda se recordam das recentes eleições no clube, o anúncio de José Mourinho, na véspera do jogo contra o Rio Ave, de que a equipe iria "dar caça" ao FC Porto e ao Sporting, após duas derrotas consecutivas que resultaram em eliminações na Taça da Liga e na Taça de Portugal, poderia ser interpretado como mais uma promessa vazia. Contudo, o desempenho da equipe contra o Rio Ave, que apresentou uma das melhores primeiras partes desde o retorno de Mourinho à Luz, sugere que devemos levar suas palavras a sério.
Em Vila do Conde, o Benfica entrou em campo sem o peso do passado recente e a pressão de não falhar novamente, mesmo diante da desconfiança de alguns de seus adeptos. O time mostrou-se como um batalhão de caçadores, disparando a golos com precisão. Quando marcou seu primeiro gol aos 16 minutos, através de um cabeceamento de Barreiro após um cruzamento de Sudakov, já havia realizado nove tentativas, três delas com grande perigo. Aos 20 minutos, um pênalti assinalado por mão de Athanasiou foi revertido pelo VAR, mas cinco minutos depois, o Benfica aumentou a vantagem com um autogolo de Ntoi, após nova jogada de Dedic na área.
O Benfica apresentou um futebol atrativo, rápido e vertical, explorando os corredores e realizando combinações simples e eficazes, chegando com frequência à baliza do Rio Ave e finalizando repetidamente. Sudakov destacou-se, jogando solto atrás de Pavlidis, enquanto Schjelderup e Prestianni criaram alternativas por dentro e por fora, abrindo espaço para as investidas de Dahl e Dedic.
Ao término do primeiro tempo, o Benfica liderava por 2-0, mas a sensação era de que tantos disparos (15) poderiam ter resultado em um placar ainda mais elástico. Essa vocação ofensiva foi possível também porque muitos jogadores se dedicaram a pressionar e recuperar a bola rapidamente, permitindo que outros aproveitassem as oportunidades. Durante a primeira parte, Trubin foi acionado apenas duas vezes: uma ao segurar um cabeceamento fraco de Clayton e outra ao defender um remate perigoso de Ntoi.
Nos primeiros cinco minutos da segunda parte, com três remates e dois cantos, ficou claro que o Benfica ainda não havia terminado o seu trabalho. No entanto, à medida que os minutos passavam, a equipe perdeu um pouco da facilidade em pressionar a saída de bola do Rio Ave e na reorganização defensiva, permitindo que algumas oportunidades escapassem. Aos 69 minutos, Clayton marcou, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Neste momento, poderia-se pensar que a segunda parte seria mais desafiadora.
Apesar disso, o Benfica continuou a ser mais ofensivo que o Rio Ave, com mais remates, maior posse de bola e, em essência, controlou a partida com a maturidade de quem sabe que precisa guardar energia para desafios futuros. Não podemos esquecer que, como a temporada já demonstrou, um dia é do caçador, e outro, da caça.