Desafios do Benfica sob a Direção de José Mourinho
O Benfica empatou com o Rio Ave sob a orientação de José Mourinho, mas poderia facilmente ter sido Bruno Lage ou Roger Schmidt no comando, dado que as dificuldades enfrentadas não são novas. Rui Costa trouxe para o clube o melhor treinador português de todos os tempos, não um milagreiro, especialmente quando se trata de ataque posicional. Será necessário tempo para que a influência de Mourinho se faça sentir, mas o principal desafio não reside apenas no tempo disponível para treinar, mas sim no perfil dos jogadores.
É indiscutível que o Benfica possui opções mais do que suficientes para apresentar um desempenho superior e lutar pelo título, mas é evidente que o plantel carece de jogadores que possam ter um impacto claro na sua definição. Isso inclui a definição da identidade da equipa, que deveria estar alinhada com a identidade do clube.
Sudakov e Lukebakio, contratados nos últimos dias da janela de transferências, podem ajudar a mitigar esta limitação crônica, como demonstraram na construção do golo contra o Rio Ave. No entanto, ainda assim, parece insuficiente, especialmente considerando o desempenho intermitente de Schjelderup e Prestianni.
O Benfica conta apenas com um jogador verdadeiramente capaz de receber a bola em blocos defensivos recuados e compactos: o internacional ucraniano adquirido ao Shakhtar Donetsk. Mesmo Lukebakio, cuja estreia gerou grande expectativa, é um jogador que desequilibra mais pelo lado externo. Ele contribui, sem dúvida, ao oferecer a verticalidade que também falta, mas é crucial, nestes contextos, conseguir desestabilizar a estratégia do adversário por dentro. Pavlidis e Ivanovic não são avançados de ligação, muito menos em espaços reduzidos; Ríos nunca foi um médio criador de espaços, mas sim um aproveitador dos mesmos.
Aursnes, por sua vez, possui a capacidade de organizar o jogo do Benfica, mas frequentemente é destacado para outras funções. No próximo jogo, ele poderá ser chamado a suprir a ausência do castigado Enzo Barrenechea, mas talvez seja o momento de questionar a titularidade de Ríos, que tem se mostrado ainda mais discreto do que o argentino.
É possível que José Mourinho encontre maneiras de contornar essas limitações com o tempo, mas é fundamental que alguém examine a situação em busca de uma identidade aparentemente perdida. É necessário definir como o Benfica deve jogar para, a seguir, escolher quem deve estar à frente do clube, tanto como treinador quanto como jogador.