Eleições do Benfica: Um Novo Capítulo à Vista
As eleições do Benfica, marcadas para este sábado, finalmente se aproximam após semanas intensas de entrevistas, sessões de esclarecimento, comunicados, apresentações de programas e acusações. O único evento que resta é o debate, programado para esta noite na BTV. Infelizmente, o nível das discussões até agora foi considerado baixo, algo que pode ser compreensível diante do desgaste de um longo período de campanha ou pré-campanha. Esta situação deve ser reavaliada pelos clubes, pois não traz benefícios.
O desafio para os benfiquistas é que o problema pode não se resolver facilmente, uma vez que é improvável que uma única candidatura consiga obter a maioria dos votos. Isso significa que uma segunda volta será necessária, resultando em mais duas semanas de campanha, possivelmente ainda mais acirrada e com menos ideias a serem debatidas. A contagem de votos se tornará o foco, e acredito que todos os candidatos buscarão o máximo de aliados, especialmente entre os quatro que não tiveram sucesso. Assim, a partir de domingo, tudo recomeçará, em busca de garantir maior legitimidade ao presidente eleito para exercer suas funções.
Compreendo a intenção dos sócios do Benfica ao aprovarem o novo regulamento eleitoral, que visa que as eleições se concluam no dia em que o candidato mais votado for eleito. O ideal seria que o candidato derrotado, ou seus apoiadores, permitissem que o presidente governasse com a maior tranquilidade possível.
Os benfiquistas não estavam acostumados a essas situações nos últimos vinte anos, período em que Luís Filipe Vieira dominou o clube. No entanto, não se trata de uma novidade no futebol português. Os sportinguistas, por exemplo, vivenciaram um período de constantes crises, onde qualquer direção era contestada após resultados insatisfatórios, até a eleição de Frederico Varandas, que, curiosamente, teve menos sócios votando nele do que no derrotado João Benedito.
Varandas se beneficiou da antiguidade dos associados, pois, se o voto fosse um por sócio, como no FC Porto, ele teria perdido as eleições. Os resultados sempre determinam as regras, e creio que serão eles a decidir as eleições do Benfica. Se a equipe se recuperar bem da derrota em Newcastle, Rui Costa será reeleito; caso contrário, um novo presidente será escolhido.
Além disso, os encarnados têm um grande trunfo: José Mourinho. A qualidade e a personalidade do treinador são um grande apoio para qualquer candidato, e é evidente que ninguém questiona sua presença. Independentemente de quem for eleito, Mourinho continuará como treinador, apesar de ser uma escolha recente de Rui Costa.
Considero que Mourinho é inquestionável e, na minha opinião, apenas ele pode salvar a temporada desportiva do Benfica. As eleições em outubro — e neste caso, também em novembro — trazem mais um desafio. Não existe um momento ideal para eleições, especialmente se os sócios desejam mudar de direção, mas um término de temporada, seja no final de maio ou início de junho, poderia atenuar a situação, permitindo que os novos líderes implementem suas ideias antes do início das competições.
Com o Sporting ostentando o título de bicampeão e o FC Porto jogando em um nível superior ao da temporada passada, a tarefa do Benfica não será fácil. Portanto, é imprescindível que todos unam esforços. A partir de 8 de novembro, data da segunda volta das eleições, todos deverão trabalhar em conjunto. Acredito que isso não será difícil, bastando seguir o líder — sim, esse mesmo… José Mourinho.