Empate Dramático do Benfica Contra o Casa Pia
No decorrer da partida, o Benfica parecia ter assegurado a vitória com um gol de pênalti marcado por Pavlidis, colocando o placar em 2-0. Jogando em casa e, embora não apresentasse um desempenho excepcional, a equipe controlava a partida de forma absoluta. Os jogadores do Casa Pia provavelmente não acreditavam em uma reviravolta, muito menos da forma inusitada que ocorreu, com um autogolo de Tomás Araújo, que aliviou para dentro da baliza uma bola defendida por Trubin após a cobrança de pênalti de Cassiano. O lance que resultou na penalidade, um remate que atingiu o estômago de António Silva e desviou para o braço, pareceu um pouco forçado. No entanto, o que se seguiu, especialmente a maneira como aconteceu, deixou os torcedores benfiquistas inquietos, tanto dentro quanto fora de campo, especialmente considerando os resultados anteriores contra o Santa Clara e o Rio Ave, além do Qarabag, criando um clima de angústia no Estádio da Luz. O gol do jovem Nhaga, aos 90+1 minutos, confirmou a lei de Murphy: tudo o que poderia dar errado para o Benfica, deu ainda pior.
O Casa Pia, que havia recentemente mudado de treinador, adotou uma estratégia defensiva, escalando três centrais altos: Kaike, Fonte e Sousa. Com André Geraldes e Livolant à direita, e Larrazabal e Nsona à esquerda, a equipe priorizou a defesa, enquanto povoava o meio-campo com Rafael Brito e Seba Perez, e deixava o veterano Cassiano na frente para explorar oportunidades.
Com um bloco defensivo muito baixo e sem intenção de se desposicionar, o Casa Pia permitiu que o Benfica dominasse a posse de bola, que chegou a 80% aos 15 minutos. A equipe treinada por José Mourinho, que viu um remate de Barrenechea bater no poste logo aos 9 minutos, procurava espaços, circulando a bola lentamente. Aos 17 minutos, chegou à vantagem com um belo gol de Sudakov, após um excelente trabalho de Pavlidis.
Dez minutos depois, Pavlidis teve a chance de ampliar a vantagem, e aos 40 minutos, Lukebakio, completamente isolado, desperdiçou uma oportunidade clara. Antes disso, Livolant, em boa posição, teve seu remate facilmente defendido por Trubin. Embora o Benfica não tenha feito uma exibição brilhante, retornou ao vestiário sentindo que merecia mais, evidenciando dois problemas: a ala esquerda (Dahl e Aursnes) carecia de vocação ofensiva, enquanto a direita (Dedic e Lukebakio) apresentava um excesso de ambição, o que gerou uma falta de entrosamento entre o lateral bósnio e o atacante belga.
No segundo tempo, com Prestianni (muito apagado) na esquerda e Aursnes substituindo Barrenechea, o jogo começou com características semelhantes à primeira parte, mas com uma leve mudança: Ríos (46), Sudakov (51) e Lukebakio (57) tentaram remates de média distância, bem defendidos por Patrick Sequeira. Quando Pavlidis fez o 2-0 de pênalti aos 60 minutos, tudo parecia resolvido, mas o autogolo de Tomás Araújo (65), pela sua singularidade, deixou a Luz em estado de nervosismo.
Gonçalo Brandão percebeu a situação e começou a reforçar o ataque, substituindo Kaike por Dylan Livramento aos 84 minutos, passando a jogar com uma defesa a quatro. O desconforto do Benfica, refletido na perda de consistência no meio-campo, foi agravado quando o VAR anulou um gol de 3-1 do internacional luxemburguês por um fora de jogo de apenas 47 centímetros. José Mourinho tentou refrescar a equipe com as entradas de Ivanovic e João Rego aos 88 minutos, mas uma perda de bola de Ríos aos 90+1 minutos, em confronto com Nhaga, originou a jogada que o guineense finalizou com o empate 2-2, após Trubin ter desviado a bola que Tomás Araújo se preparava para cortar.
Pela terceira vez nesta temporada, em casa e contra adversários fora de seu ‘campeonato’, o Benfica perdeu dois pontos. A entrada tardia de Henrique Araújo visou dar mais substância ao futebol direto que se seguiu até o apito final. O Casa Pia executou um jogo que se adequava perfeitamente a suas necessidades, enquanto o Benfica deve repensar algumas de suas estratégias para enfrentar partidas em que o adversário defende com todas as suas forças. Será que Pavlidis precisa de apoio mais direto? As alas devem ser mais produtivas? A segurança no meio-campo precisa ser aprimorada? Sem esquecer que pensamentos negativos tendem a dominar a equipe quando o relógio marca os 90 minutos.