Entrevista com Vítor Paneira: Memórias e Reflexões de um Ícone do Benfica
A trajetória de Vítor Manuel da Costa Araújo, mais conhecido como Vítor Paneira, é marcada por uma rica herança familiar e uma carreira desportiva notável. O nome "Paneira" tem raízes na sua família, vindo do avô Aníbal Paneira, proprietário de padarias em Famalicão. Vítor explica: "Meu pai era Augusto Paneira, e eu, como filho dele, naturalmente assumi o nome. Hoje, meus filhos também são conhecidos como Paneiras."
Vítor Paneira começou sua carreira no Famalicão, onde chamou a atenção de olheiros do Benfica. Ele recorda: "Durante um treino de seleção, entrei em campo devido a uma lesão de um colega e tive uma boa performance. O senhor Peres Bandeira, que estava na bancada, reconheceu meu potencial para o Benfica, mas só cheguei ao clube no ano seguinte."
Sobre seu estilo de jogo, Paneira descreve-se como um jogador com alma, atitude e técnica. "No início, jogava como extremo, mas com o tempo, fui jogando mais por dentro. Sempre procurei ter inteligência no jogo", afirma ele. Quando questionado se teria lugar no atual plantel do Benfica, ele responde com modéstia: "Acho que não. As pessoas dizem que eu era um grande extremo-direito, mas os tempos mudaram."
Uma das histórias mais curiosas de sua vida foi sua suposta deserção do serviço militar. Ele relata: "Tinha que me apresentar ao quartel até às 1 da manhã de domingo, mas cheguei às 10 da manhã. O comandante me deu fins de semana de castigo, e eu argumentei que queria jogar pelo Benfica. O advogado João Rodrigues interveio, pois era incoerente eu ser considerado desertor e ao mesmo tempo representar a Seleção Nacional."
Após quase três décadas, Paneira guarda memórias inesquecíveis do Benfica e do Estádio da Luz, onde viveu momentos marcantes, como conquistar o campeonato nacional e chegar à final da Liga dos Campeões. Ele reflete: "Jogar pelo Benfica foi uma bênção que Deus me deu, e sou grato por isso todos os dias."
Paneira conquistou três campeonatos: em 1989, 1991 e 1994. Para ele, o primeiro título é sempre o mais especial. "Ser campeão pelo clube que amamos é um marco incrível. O campeonato de 1994 tem um sabor especial, especialmente o jogo 3-6 contra o Sporting, que foi um grande espetáculo para os benfiquistas", relembra.
Embora não tenha marcado em nenhum dos gols do jogo, ele se orgulha das assistências que fez. "Prefiro assistir a um gol do que marcá-lo, pois para mim, uma assistência é tão gratificante quanto um gol", diz Paneira.
Ele também menciona os treinadores que marcaram sua carreira, como Toni e Eriksson. "Toni foi minha grande referência, ele acreditou em mim. Eriksson era diferente de todos os outros, e teve um papel importante em minha formação como jogador", destaca.
Refletindo sobre uma entrevista polêmica do passado, onde afirmou que não cumprimentaria Artur Jorge, Vítor admite: "Aprendi que nem sempre os outros estão errados e que eu também tive responsabilidade na situação. Infelizmente, o Artur Jorge já não está aqui, mas eu tinha razão sobre o que estava acontecendo no Benfica na época."
Paneira também teve uma carreira internacional, com 44 jogos e 4 gols pela Seleção Nacional, e foi convocado para o Euro-1996, embora não tenha jogado na fase final. "Fui ao Europeu por mérito próprio, tendo feito uma grande temporada no Vitória de Guimarães. Fiquei satisfeito por ter sido convocado, mesmo que não tenha jogado", conclui.