Investigação sobre Descarrilamento do Elevador da Glória

Investigação sobre Descarrilamento do Elevador da Glória

O cabo que conectava as duas cabinas do elevador da Glória "cedeu no seu ponto de fixação", conforme confirmado neste sábado pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF). Na mesma nota, é mencionado que o guarda-freios acionou imediatamente os travões.

Segundo o comunicado acessado pela Lusa, foi constatado durante a análise dos destroços no local que o cabo cedeu no seu ponto de fixação dentro do trambolho (peça de encaixe) superior da cabina n.º 1, que havia iniciado a viagem no cimo da Calçada da Glória. As cabinas não percorreram mais de seis metros antes de perderem "subitamente a força de equilíbrio" devido ao cabo de ligação que as unia.

O guarda-freios ativou tanto o freio pneumático quanto o freio manual, mas essas ações não foram suficientes para reduzir a velocidade do veículo, que acelerou e colidiu a cerca de 60 km/h. Todo o incidente ocorreu em menos de 50 segundos.

O comunicado também esclarece que "o restante cabo" e todo o sistema não apresentavam anomalias visíveis. O cabo utilizado é composto por seis cordões de 36 arames de aço com alma em fibra, com um diâmetro total nominal de 32 milímetros e uma carga de ruptura aproximada de 68 toneladas. Este tipo de cabo estava em uso neste ascensor há cerca de seis anos.

O GPIAAF informa que a vida útil do cabo é fixada em 600 dias para este tipo de uso, e o cabo presente no momento do acidente havia sido instalado há 337 dias, restando ainda 263 dias de vida útil até a sua substituição. A entidade operadora do sistema considera que a vida útil definida para o cabo possui um coeficiente de segurança significativo.

Em relação à manutenção, a investigação aponta que a entidade operadora, Carris, contratou uma empresa externa especializada para este serviço. O contrato estipula que cabe à Carris o fornecimento dos cabos e à empresa contratada a sua instalação, sob a supervisão da primeira.

O GPIAAF ressalta que ainda não é possível tirar conclusões sobre as causas do acidente, considerando que a investigação está em andamento e a informação disponível é incompleta.

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