Itália Enfrenta Risco de Não Participar do Mundial pela Terceira Vez Consecutiva

Itália Enfrenta Risco de Não Participar do Mundial pela Terceira Vez Consecutiva

A Itália, quatro vezes campeã do mundo e uma das nações mais respeitadas e temidas do futebol internacional, enfrenta atualmente um cenário impensável: o risco real de não se classificar para a Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva.

O país, que conquistou os torneios de 1934, 1938, 1982 e 2006, vive um período de crise prolongada que contrasta com seu passado glorioso. Após as ausências dolorosas em 2018 e 2022, a tentativa de se classificar para o Mundial de 2026 expôs novamente fragilidades na equipe. A derrota por 1 a 4 frente à Noruega confirmou que a squadra azzurra terminou o Grupo I em segundo lugar, a seis pontos dos noruegueses, e agora terá que enfrentar os play-offs — um cenário que já trouxe algumas das experiências mais traumáticas da sua história recente.

A eliminação diante da Suécia em 2017, por 0 a 1 no agregado, foi um choque profundo, mas nada se compara à derrota por 0 a 1 para a Macedônia do Norte, em Palermo, que resultou na ausência da equipe na Copa do Mundo de 2022, poucos meses após conquistar o Euro 2020.

O selecionador Gennaro Gattuso, que assumiu a equipe após um início caótico que levou à saída de Luciano Spalletti, expressou sua frustração com o atual formato de qualificação, lembrando: “Na minha época, os melhores segundos iam diretamente ao Mundial, agora as regras mudaram.” Para Gattuso, é difícil aceitar que na América do Sul seis seleções se classificam diretamente e uma sétima disputa um play-off, enquanto a Europa tem um caminho muito mais difícil. “Isso dá tristeza. O sistema precisa mudar na Europa”, lamentou, destacando a complexidade adicional para países com um histórico como o da Itália.

O processo de qualificação deste ano foi turbulento desde o início: a derrota por 0 a 3 para a Noruega na estreia levou Spalletti a anunciar sua saída apenas dois dias depois, embora tenha dirigido o jogo seguinte, vencendo a Moldávia por 2 a 0. Com a Noruega começando com sete vitórias consecutivas e 33 gols marcados, os italianos sempre ficaram em desvantagem, obrigados a correr atrás do prejuízo. Sob o comando de Gattuso, a equipe encontrou algum brilho ofensivo e recuperou parte da confiança, vencendo a Estônia (5 a 0 e 3 a 1) e Israel (5 a 4 e 3 a 0), antes de derrotar novamente a Moldávia por 2 a 0, em um jogo decidido apenas nos minutos finais.

Na última jornada, a Itália entrou em San Siro diante de um cenário quase irreal. Para garantir o primeiro lugar do grupo, precisava derrotar a Noruega por uma diferença de nove gols — uma tarefa que beirava o impossível. O desfecho foi ainda mais amargo: a seleção italiana não apenas falhou em atingir o objetivo, como também não conseguiu vencer. A Noruega venceu por 4 a 1 e garantiu, sem contestação, o passaporte para o Mundial de 2026.

Os transalpinos terminaram o grupo em segundo lugar e agora terão que superar dois jogos de play-off para evitar um novo fracasso histórico. O país que, durante tantas décadas, foi sinônimo de rigor defensivo, mentalidade vencedora e grandes noites de Copa do Mundo, encontra-se agora em uma luta desesperada para retornar ao cenário que moldou sua identidade futebolística.

Após duas quedas dolorosas, a pressão é imensa e a margem de erro é inexistente. O futuro imediato da equipe está entre o medo de um terceiro desastre consecutivo e a esperança de reencontrar a velha alma vencedora da squadra azzurra.

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