João Almeida Foca no Giro e na Vuelta em 2026
João Almeida tem como objetivo principal o Giro d'Italia. A equipe UAE Emirates confirmou o que muitos já esperavam: o ciclista português será o líder da formação nas Voltas à Itália e à Espanha em 2026, enquanto o Tour de France ficará sob a responsabilidade de outros colegas na poderosa equipe do WorldTour.
O jovem ciclista mexicano Isaac del Toro, que fará sua estreia na competição, é o substituto natural de Almeida no grupo que apoiará Tadej Pogacar na busca pelo quinto maillot jaune da sua carreira, o terceiro consecutivo.
Após duas temporadas como escudeiro de Pogacar no Tour, onde alcançou um quarto lugar na classificação geral, mas enfrentou a frustração de uma desistência na última edição devido a uma fratura de costela, Almeida está pronto para seguir seu próprio caminho. Desde 2022 na UAE Emirates, o ciclista de 27 anos se tornou uma peça-chave em uma estrutura que confia nele, e essa confiança é recíproca.
No Giro, Almeida será o único líder da UAE Emirates. Na Vuelta, suas ambições dependerão das metas de Pogacar, que busca conquistar a única grande Volta que ainda falta em seu currículo.
“Amo todas as corridas. Tentamos encontrar um bom equilíbrio para que todos fiquem satisfeitos e felizes. Estou muito ansioso para voltar ao Giro. É uma corrida magnífica e é bom ter uma mudança de ritmo de vez em quando”, afirmou o ciclista de A dos Francos durante uma coletiva de imprensa em Benidorm, na Espanha, onde a equipe realiza um estágio de pré-temporada.
“Irei ao Giro com a mentalidade de lutar pela vitória. Falar é fácil, fazer é muito mais difícil. Vamos dar o nosso melhor e trabalhar arduamente. A competição será intensa. No final das contas, é uma corrida como qualquer outra, que exige muita preparação e concentração”, destacou Almeida.
O plano da UAE é claro: proporcionar a Pogacar a oportunidade de fazer história no Tour, onde ele pode igualar os cinco títulos de Merckx e Hinault, enquanto dá a João Almeida a chance de realizar o sonho que o persegue desde 2020, quando vestiu a camisa rosa por 15 dias e terminou em quarto lugar, ou em 2023, quando alcançou o pódio (3º) em seu último Giro.
A temporada do português começa na Comunidade Valenciana, passa pelo Algarve e culmina no grande teste de maio, o Giro d'Italia. Após isso, ele competirá nos Campeonatos Nacionais e na Volta a Burgos para se preparar para a Vuelta.
“Não acho que o Tadej precise de mim para vencer uma grande Volta. Se dividirmos os objetivos, ambos podemos ganhar”, explicou, demonstrando lucidez e ambição implícita: João Almeida deseja vencer uma grande Volta e acredita que pode conquistá-la em 2026.
O percurso do Giro não teve grande influência na decisão do ciclista e da equipe, esclareceu. “Considero-me um ciclista bastante completo. Se há mais montanhas ou mais contrarrelógios, isso não muda muito para mim. Queria uma mudança e voltar ao Giro. Conversei com a direção da equipe, que me deu essa oportunidade. A decisão foi bastante simples”.
Sobre a possibilidade de enfrentar Jonas Vingegaard novamente, após o segundo lugar na Vuelta de 2025, Almeida relativiza a questão. “No final, tudo depende das pernas. Se as pernas não responderem, não há nada que possa fazer. Ele é muito inteligente e corre com a cabeça também. Quando ataca, ataca de verdade. A chave para vencê-lo é simplesmente ser... forte. Todos os corredores podem ser derrotados. Talvez não consiga batê-lo neste momento, mas acredito que, em certas circunstâncias, qualquer um pode ser superado”, concluiu.
Ao final da coletiva, uma pergunta crucial: João Almeida ficaria desapontado se nunca conquistasse uma grande Volta? “Não, não ficaria desiludido. Claro que adoraria ganhar uma, mas o nível atual é extremamente elevado. E nem sempre é o ciclista mais forte que vence. Já tive algumas grandes vitórias na minha carreira e espero conquistar mais. Agora, encaramos cada corrida com o desejo de dar o nosso melhor.”