José Borges Reflete sobre a Arbitragem no Futebol Português
Com a arbitragem novamente em foco no futebol português, o presidente da APAF, José Borges, concedeu uma entrevista ao jornal A BOLA. Durante a conversa, ele revisita sua trajetória como árbitro, sua conexão com Luciano Gonçalves, que trocou a liderança da associação dos árbitros pela presidência do Conselho de Arbitragem, e a possível participação de João Pinheiro no Campeonato do Mundo.
José Borges está envolvido na arbitragem há mais de 30 anos. Iniciou sua carreira como árbitro filiado à Associação de Futebol de Lisboa e, como assistente, alcançou a primeira categoria nacional. "Nunca tive muito jeito para jogar a bola. Assim, durante o desporto escolar, comecei a atuar como árbitro. Foi assim que nasceu minha paixão e curiosidade pela arbitragem", recorda. Ele se lembrou de ter visto um anúncio em um jornal, possivelmente A BOLA, sobre o curso de árbitro da AF Lisboa. "Decidi me inscrever, mas não tinha a intenção de me tornar um árbitro. A arbitragem é algo inexplicável", acrescenta.
Com orgulho, Borges relembra sua trajetória e menciona que foi assistente de árbitros renomados como Jorge Coroado, Pedro Proença, Pedro Henriques e Tiago Martins. "Isso mostra que minha qualidade talvez não fosse tão ruim assim", diz, sorrindo, ao lembrar que na época os árbitros principais escolhiam seus assistentes.
Como presidente da APAF, ele considera que o principal desafio é atrair novos árbitros. "Com a situação atual, isso se torna difícil. Temos inúmeros casos de violência no esporte, que refletem problemas que ocorrem no topo. Precisamos combater isso nas instâncias superiores, para que não se reflita na base", defende.
Borges lamenta que seus pais só tenham assistido a um jogo seu durante toda a sua carreira, a final da Taça de Portugal em 2001 (FC Porto 2 – Marítimo 0). "Convencê-los a ir foi complicado, e saíram de lá dizendo que não queriam voltar", relata.
José Borges ingressou na APAF em 2016 como vice-presidente de Luciano Gonçalves. "Conheci Luciano através de um projeto que desenvolvi como vice-presidente de um núcleo de árbitros em Lisboa. Ele se interessou muito pelo meu trabalho com os árbitros mais jovens e viu uma oportunidade de me trazer para a APAF. Fui reconhecido por isso", explica.
Candidato único à presidência da APAF nas eleições de julho, Borges sucedeu Luciano Gonçalves, que assumiu a liderança do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. "Senti um enorme orgulho, pois ele é uma pessoa extremamente capaz e certamente fará um trabalho exemplar, como fez na APAF. Ao mesmo tempo, era um colega, e trabalhar com alguém por nove anos torna difícil a separação. É quase como filhos. Estamos com eles a vida inteira, mas um dia temos que nos separar. Desde que seja para uma boa situação, tudo bem. É o progresso e a evolução das coisas", afirma.
Embora a transição de presidentes da APAF para o Conselho de Arbitragem seja uma tradição, José Borges garante que esse não é seu objetivo, embora evite usar a palavra "nunca". "Não sei qual será meu objetivo em três anos. Não vou afirmar que quero ser presidente do CA. Meu foco atual é enfrentar o momento difícil que estamos vivendo e encontrar soluções para os árbitros", responde.
O presidente da APAF expressa orgulho ao comentar a possibilidade de João Pinheiro participar do Campeonato do Mundo, mas ressalta que sentirá "ainda mais orgulho" quando essa nomeação for confirmada. "Ele demonstrou ser um excelente árbitro, com capacidade para representar Portugal no Mundial", observa José Borges. "Isso significa que estamos fazendo um bom trabalho, pois somos o país europeu com mais árbitros internacionais", afirma, confiante de que João Pinheiro será protegido ao longo da temporada, visando essa oportunidade.
"Tudo o que acontece aqui é observado no exterior. Pode ser visto de forma positiva ou negativa. Tenho certeza de que o Conselho de Arbitragem terá o cuidado de proteger João, porque todos nós queremos que a arbitragem portuguesa esteja representada em uma competição como o Campeonato do Mundo", conclui.