José Mourinho: O Maior Treinador da História do Futebol
Na história do futebol, tanto na era do preto e branco quanto nas transmissões televisivas a cores, podemos encontrar treinadores carismáticos que deixaram uma marca indelével no esporte com inovações táticas, currículos impressionantes e legados memoráveis. A lista é extensa.
Com a ajuda da memória e do Google, recordo figuras como Alex Ferguson, Johan Cruyff, Arrigo Sacchi, Rinus Michels, Fabio Capello, Carlo Ancelotti, Jurgen Klopp, Arsène Wenger, Bill Shankly, Matt Busby, Helenio Herrera, Ernst Happel, Valeriy Lobanovskyi, Bob Paisley, Ottmar Hitzfeld, Juup Heynckes, Artur Jorge, Brian Clough, Pep Guardiola e, claro, José Mourinho.
Todos eles são colecionadores de troféus, mas apenas um, entre outros que poderiam ser mencionados, conquistou, em temporadas consecutivas, uma Taça UEFA e uma UEFA Champions League ao serviço de um clube português, o FC Porto. Este treinador é José Mário dos Santos Mourinho Félix. Embora não o considere o melhor técnico da atualidade, continuo a vê-lo como o maior, pois, além dos triunfos com equipes favoritas, ele alcançou o Olimpo como um underdog representando um emblema nacional.
Sem querer invocar a maldição que eternizou Béla Guttmann — que também celebrou no Benfica duas Taças dos Clubes Campeões Europeus em anos consecutivos, mas não teve o mesmo impacto nas grandes ligas que o 'Special One' —, é certo que nunca mais veremos algo igual em Portugal.
A distinção entre ser o maior e ser o melhor pode parecer sutil, mas é crucial. O maior refere-se ao passado e aos momentos inesquecíveis em Sevilha e, especialmente, em Gelsenkirchen, onde os dragões ergueram a orelhuda, quebrando a hegemonia dos grandes clubes desde a final de 26 de maio de 2004 contra o Mónaco.
Por outro lado, o melhor é aquele que se adapta ao presente. E é nesse aspecto que a discussão se torna mais intensa. O futebol de 2025 não é o mesmo de 2004. O jogo evoluiu significativamente, com a pressão alta, a construção a partir da defesa e a versatilidade tática alterando radicalmente o cenário. José Mourinho continua a ser um competente comunicador, mas enfrenta desafios ao lidar com uma geração de jogadores que prefere a PlayStation a uma estratégia de jogo.
Enquanto Guardiola reinventa constantemente o jogo, Klopp utiliza o gegenpressing e Luis Enrique traz um novo futebol total recheado de ideias inovadoras, percebemos que Mourinho já não é o ditador de tendências. Ele segue as tendências, adapta-se, mas sem inovar.
A tentação de rotulá-lo como ultrapassado é exagerada. A UEFA Conference League que conquistou com a Roma é uma prova de que ainda mantém uma eficácia competitiva que poucos conseguem igualar. Contudo, ser o melhor, no sentido de impulsionar mudanças, é uma coroa que já não lhe pertence. Poderá voltar a pertencê-la? O futebol não perdoa a estagnação e adora narrativas de reinvenção. Talvez Mourinho ainda tenha uma última palavra a dizer e surpreenda no Benfica, nem que seja para provar que todos estavam enganados.
Até lá, tenho a certeza de que ele é o maior. O melhor? Isso já não é mais.