Julgamento da Operação Lex Foca em Rui Rangel e Luís Filipe Vieira
O suposto favorecimento de Rui Rangel a Luís Filipe Vieira foi discutido na manhã do julgamento da Operação Lex, que acontece no Tribunal Militar de Lisboa. Durante a sessão, foi abordada a intervenção de Rangel em favor do ex-presidente do Benfica em um processo fiscal que tramitava contra ele em Sintra, em troca de convites para o camarote presidencial do clube, que Rangel «queria e desejava», conforme afirmou Jorge Albergaria, atual procurador do Ministério Público.
Além disso, foi lida uma mensagem de Rui Rangel criticando Luís Filipe Vieira, a qual, segundo Jorge Albergaria, ilustra o «desalento» de Rangel por não ter recebido os convites. Na mensagem, o ex-juiz expressa que «nem dá vontade de resolver os assuntos dele».
Quando questionado pelo procurador Vítor Pinto se «os assuntos dele» se referiam ao processo de Luís Filipe Vieira em Sintra, Jorge Albergaria confirmou a relação e mencionou que, após reclamar que Vieira «se esquecia dele», foi convidado a integrar uma comitiva que acompanhou a equipe do Benfica em viagem, convite que aceitou.
A Operação Lex foi revelada em 30 de janeiro de 2018, com a detenção de cinco pessoas e mais de 30 buscas realizadas. A operação teve origem em uma certidão extraída do caso Operação Rota do Atlântico, que envolveu o empresário de futebol José Veiga.
A acusação do Ministério Público foi divulgada em setembro de 2020, após um inquérito conduzido pela procuradora-geral adjunta do STJ, Maria José Morgado. A investigação focou nas atividades dos ex-desembargadores Rui Rangel, Fátima Galante e Luis Vaz das Neves, envolvendo crimes como corrupção, abuso de poder, branqueamento de capitais e fraude fiscal, entre outros.