A Odisseia do Ciclista Francês Sofiane Sehili

A Odisseia do Ciclista Francês Sofiane Sehili

O ciclista francês Sofiane Sehili, que passou 51 dias detido na Rússia por atravessar ilegalmente a fronteira com a China, já está em casa e compartilhou com a mídia sua assustadora aventura.

A jornada de Sehili, de 44 anos, teve início em Lisboa no começo de julho, com o objetivo de estabelecer um recorde de ultraciclismo. A travessia o levou até Vladivostok, no extremo leste da Rússia, onde chegou no início de setembro. Após duas tentativas frustradas de cruzar a fronteira legalmente, ele decidiu arriscar um percurso pela floresta.

Após quatro horas de pedalada e com a noite se aproximando, o ciclista decidiu retornar e se entregar às autoridades, alegando que havia se perdido. No entanto, sua justificativa não foi aceita e ele acabou detido.

“A noite estava prestes a cair e eu percebi que isso já tinha durado tempo suficiente. Não era inteligente tentar continuar”, admitiu o francês, que já retornou à França. “Fui um pouco ingênuo ao acreditar que as autoridades russas me enviariam rapidamente para a China”, comentou.

Em meio à guerra na Ucrânia e à tensão constante, não se poderia esperar outra coisa. “Apreenderam meu GPS, meu celular, minhas câmeras, analisaram tudo, e eu não consegui mentir e dizer que foi sem querer”, relatou, já em solo francês, onde chegou há três dias.

Sehili foi libertado no dia 23 de outubro, após ser condenado ao pagamento de uma multa de aproximadamente 540 euros, ou 50 mil rublos, depois de quase dois meses em uma cela com mais seis detentos. “Passei uma semana em estado de choque, extremamente ansioso, tentando me habituar à detenção e ao confinamento”, confessou o ciclista à rádio RTL. Embora tenha considerado que foi tratado de maneira justa, as condições eram severas, e a falta de sono, devido à convivência no espaço apertado, foi o maior desafio.

Ele também mencionou a dificuldade de lidar com o impacto psicológico do encarceramento. “É muito difícil, porque o que me motiva no dia a dia é estar ao ar livre, sentir o vento. É por isso que ando de bicicleta, para estar em contato com a natureza. Durante 51 dias, só vi o céu uma vez”, recordou.

Esse momento ocorreu durante um encontro com a cônsul honorária da França em Vladivostok. “Para chegar até lá, precisávamos atravessar um pequeno pátio. Naquele dia, o tempo estava bom. Pedi para esperar dois ou três minutos lá fora, ao sol, olhando para o céu antes de voltar para a cela. O guarda permitiu”, contou.

Durante a detenção, o único contato com a família era feito por meio de cartas semanais. Recebido no aeroporto por seus familiares no domingo, Sehili descreveu sua libertação como o fim de um pesadelo. “A partir do momento em que saí livre do tribunal, disse a mim mesmo que era o fim do capítulo mais sombrio da minha vida”, concluiu o atleta, que arriscou uma pena de dois anos de prisão.

A aventura do francês começou em 1 de julho e passou por 17 países, com a intenção de superar o recorde do alemão Jonas Deichmann, que completou a travessia euroasiática em 64 dias, 2 horas e 26 minutos. Embora não tenha conseguido, ficou com uma história de final feliz para contar aos netos.

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