António Oliveira Reflete sobre Experiências no Futebol Brasileiro
António Oliveira, atualmente sem clube, concedeu uma entrevista ao Globo Esporte, onde discutiu seus projetos no Brasil, incluindo passagens por Cuiabá, Athletico Paranaense, Corinthians, Sport Recife e Remo. Ele explicou os motivos que o levaram a deixar os dois últimos clubes após um curto período de tempo, que compreendeu apenas quatro jogos e menos de três meses, respectivamente.
“Em momento algum me arrependo. Sabia dos riscos. Sempre entrei em projetos extremamente desafiantes. Fiz o melhor possível dentro dos recursos e do tempo. Mas sou um treinador de processo, e sem estabilidade não há crescimento”, justificou, referindo-se ao Sport Recife, que enfrentava a ameaça de rebaixamento. “O clube estava extremamente instável, com apenas dois pontos em sete jornadas. Havia uma pressão emocional intensa. Embora tenha havido uma evolução clara, reconhecida internamente, era necessário um resultado imediato, e o calendário pesou muito.”
Oliveira também comentou sobre o impacto do sucesso de treinadores portugueses como Abel Ferreira, do Palmeiras, e Jorge Jesus, ex-Flamengo, na percepção sobre os técnicos de Portugal: “Isso abre portas, mas também aumenta as expectativas. Nem todos são Abel ou Jesus. Existem bons e maus treinadores em Portugal e no Brasil. O treinador português evoluiu muito e, quando se adapta rapidamente ao contexto brasileiro, geralmente consegue uma carreira longa.”
A gestão no futebol brasileiro foi outro tema abordado: “Tive dois anos brilhantes no Cuiabá, que considero um exemplo de gestão desportiva e financeira. O Palmeiras é outro exemplo positivo. O problema de muitos clubes é a incapacidade de avaliar o processo. Eles mudam muito, vivem sob pressão externa e buscam bodes expiatórios.”
O técnico luso admitiu que “assumir o Corinthians em 2024 foi uma das maiores responsabilidades do futebol brasileiro”. “O clube vivia um momento muito instável, tanto dentro quanto fora de campo. Jogamos de forma organizada e competitiva, avançamos em todas as eliminatórias e fomos os primeiros na Sul-Americana. A torcida é fenomenal, fantástica, e aprendi a amá-la. É uma torcida que impulsiona qualquer treinador ou jogador, tenho respeito absoluto pelo clube, pelos jogadores e pela torcida. Dei tudo o que tinha todos os dias e, de forma muito franca, digo que um dia gostaria de voltar”, enfatizou.
Sobre os fatores que contribuíram para os desafios no Corinthians, o filho de Toni explicou que “as saídas de Cássio, Paulinho e a lesão do Fagner tiveram um impacto significativo”. Ele também comentou a decisão de deixar Cássio no banco durante um jogo da Taça Sul-Americana, após o jogador expressar preocupações sobre sua saúde mental: “Sempre quis contar com o Cássio. A decisão de tirá-lo foi técnica, mas também para protegê-lo, pois ele estava passando por um momento emocional difícil. A saída do clube foi uma decisão entre ele e a direção.”
Atualmente, Oliveira vive um momento menos comum nos últimos tempos: “Estou aproveitando algo que não fazia há muito tempo, desfrutando do meu tempo em família, com meus filhos, minha mulher e acompanhando meus pais. É sempre muito difícil estar longe de casa e de quem amamos.” O técnico de 43 anos revelou o que considera necessário antes de aceitar o próximo desafio: “Agora, penso em descansar e ouvir propostas que ofereçam confiança ao treinador e projetos sustentáveis. Só deixarei Portugal para projetos que tenham comprovação de confiança ao treinador e tempo para implementar o processo. Quero desfrutar da família e recuperar o que perdi nos últimos cinco anos. Mas, se surgir um projeto sólido, estarei disposto a retornar ao Brasil ou a qualquer outro mercado.”