Benfica District: Um Novo Horizonte para o Clube

Benfica District: Um Novo Horizonte para o Clube

O projeto do Benfica District representa a decisão patrimonial mais significativa do clube desde a construção do Estádio da Luz, refletindo uma visão de futuro para o Benfica, seu estádio e sua relação com a cidade. Este plano está longe de ser definitivo, o que é um aspecto positivo. Os sócios são convidados a deliberar sobre o conceito, a ambição e a direção estratégica, sendo fundamental que essa decisão não seja encarada como um cheque em branco. Aprovar não significa abdicar da exigência, mas sim permitir que a Direção continue a trabalhar, integrando contribuições, detalhando soluções e apresentando, no momento apropriado, um modelo final que deverá ser novamente submetido à aprovação dos sócios.

Após uma análise cuidadosa, destacam-se dois pontos estruturais cruciais para o sucesso do projeto, todos com um objetivo claro: gerar receitas adicionais para reter talentos e aumentar as vitórias.

O primeiro ponto é a utilização do Estádio da Luz. Um ativo dessa magnitude não pode ser utilizado, em média, apenas três vezes por mês. Um estádio moderno deve operar cerca de 150 dias por ano. Para isso, são necessárias duas mudanças: a cobertura do estádio e o rebaixamento do relvado, com um sistema eficiente de proteção. A cobertura possibilita a realização de eventos no inverno, enquanto o sistema de proteção permite a realização de eventos durante todo o ano, assegurando a qualidade do relvado. Em Lisboa, há uma demanda por um grande espaço desse tipo, mas apenas um pode se destacar. Se o Benfica não for o primeiro a avançar, corre o risco de ceder essa oportunidade ao seu rival, o que poderia significar cerca de 40 milhões de euros adicionais por ano em receitas de eventos.

O segundo ponto estrutural, talvez o mais decisivo, é a escolha de um parceiro estratégico. O projeto só será viável se envolver investimento do parceiro, e não do Benfica, garantindo que o risco financeiro e de execução não recaia sobre o clube. A definição desse parceiro deve ser o primeiro grande passo, por meio de um processo claro, envolvendo entidades com experiência comprovada na gestão e promoção de estádios de futebol. Operadores internacionais como Legends, Anschutz Entertainment Group, Oak View Group, Live Nation, CTS Eventim e Lagardère Sports devem ser convidados a apresentar propostas.

Com um parceiro definido para um horizonte de longo prazo, como 30 anos, e um modelo de partilha de receitas, será possível discutir com rigor as demais valências do projeto. Este modelo mitiga riscos de desvios financeiros e atrasos na execução, garantindo maior disciplina e responsabilidade. Para esses parceiros, a lógica é simples: investir entre 400 e 450 milhões de euros para explorar um ativo com um valor potencial entre mil e mil e cem milhões de euros.

Além desses dois pontos estruturais, existem melhorias relevantes a serem consideradas, como a integração da loja e do museu no interior do estádio. Atualmente, quem visita o Estádio da Luz não é guiado de forma natural pela história do clube nem pela sua principal área comercial. Integrar o museu e a loja no percurso da visita permitirá modernizar a experiência e aumentar o valor médio por visitante. A história e a identidade do Benfica são ativos únicos e devem estar no centro da experiência.

O Benfica precisa evoluir, acompanhar os melhores exemplos europeus e valorizar um de seus maiores ativos. Este projeto terá um impacto que se estenderá por décadas. É natural que os sócios exijam rigor e garantias. Apoiar esse caminho e contribuir para seu aperfeiçoamento é um dever de compromisso com um Benfica vencedor.

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