Benfica sem Brasileiros pela Primeira Vez em Quase 40 Anos

Benfica sem Brasileiros pela Primeira Vez em Quase 40 Anos

Com o fechamento da janela de transferências, confirmou-se o que já era esperado: o Benfica não possui mais jogadores brasileiros em seu elenco, desde que Arthur Cabral se transferiu para o Botafogo no início de junho. Este é um marco significativo, pois, pela primeira vez desde a temporada 1983/84, o clube não conta com nenhum atleta brasileiro. Essa situação deve persistir até janeiro de 2026, quando o mercado reabrirá.

O treinador Bruno Lage tem à sua disposição jogadores de 14 nacionalidades diferentes. Entre eles, há três argentinos (Otamendi, Barrenechea e Prestianni), dois ucranianos (Trubin e Sudakov), dois noruegueses (Aursnes e Schjelderup), além de um dinamarquês (Bah), um sueco (Dahl), um bósnio (Dedic), um espanhol (Obrador), um norte-americano (Wynder), um colombiano (Ríos), um luxemburguês (Barreiro), um belga (Dodi Lukebakio), um grego (Vangelis Pavlidis), um croata (Ivanovic) e, claro, dez portugueses (Samuel Soares, António Silva, Tomás Araújo, Leandro Santos, Manu Silva, Bruma, Henrique Araújo, Nuno Félix, João Rego e Diogo Prioste).

Em 1º de julho de 1978, no Pavilhão da Luz, em Lisboa, ocorreu uma das Assembleias Gerais Extraordinárias mais concorridas da história do clube, com 534 sócios votantes e mais de oito horas de reunião. Nela, os sócios do Benfica abriram a possibilidade de contratar jogadores estrangeiros.

Carlos Pinhão, em A BOLA, tentava desmistificar o clima de apreensão: “Senhores benfiquistas dos velhos tempos, não é caso para cobrir de crepes a bandeira do Benfica! Primeiro, nem se sabe ainda se virão estrangeiros. E, depois, se vierem, também não é tragédia nenhuma.” A Assembleia não obrigava o clube a contratar jogadores estrangeiros; apenas sancionava uma possibilidade.

No entanto, o Benfica não teve jogadores estrangeiros na temporada seguinte (1978/79), apesar de ter um treinador inglês, John Mortimore. Enquanto isso, o FC Porto contava com vários brasileiros e o Sporting também tinha atletas do Brasil.

Após perder dois campeonatos seguidos para o FC Porto, a direção liderada por José Ferreira Queimado decidiu avançar para a contratação de jogadores estrangeiros, começando por Jorge Gomes, um avançado brasileiro ex-Boavista.

A estreia de Jorge Gomes ocorreu em um amistoso contra o Boavista em 11 de agosto de 1979, marcando o início de uma nova era para o clube. Quatro meses depois, o Benfica contratou César, outro brasileiro, que se tornou a primeira transferência internacional da história do clube.

Jorge Gomes e César foram os pioneiros entre os estrangeiros do Benfica pós-1978, e a partir de então, muitos brasileiros se tornaram parte da rica história do clube. Ao longo das décadas, diversos jogadores de várias nacionalidades vestiram a camisa vermelha, com uma predominância de brasileiros, que deixaram sua marca no clube.

Entre os momentos memoráveis, Jorge Gomes e César foram os primeiros campeões nacionais ao serviço do Benfica na temporada 1980/81. Ao longo dos anos, muitos outros brasileiros se destacaram, como Aldair, David Luiz e Ederson, entre outros.

Nos últimos 46 anos, o Benfica só iniciou uma temporada sem brasileiros em 1983/84. Agora, 16 anos depois, o clube se encontra novamente sem atletas brasileiros, um fato que não é inédito, mas que marca uma nova fase na história do clube.

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