Benfica vence, mas exibe desempenho insatisfatório
O Benfica conquistou uma vitória, mas continua a não impressionar. Diante de um adversário da Liga 3, as águias apresentaram novamente um futebol apagado, sem chama nem alma. O mais preocupante para a equipa é que essa não é a única má notícia, já que o que se viu no Restelo foi a repetição de um padrão, embora em sua forma mais fraca.
O que realmente surpreendeu foram as críticas contundentes de José Mourinho após a partida. Em uma conferência de imprensa, ele afirmou que as críticas feitas na entrevista rápida se aplicavam a ele mesmo, além dos jogadores, pois é responsável pela gestão do plantel. Quando um treinador diz algo como "depois não venham bater à porta para saber porque não jogam", é um sinal de que estamos entrando em uma nova fase.
Até agora, o ex-técnico do Fenerbahçe demonstrou uma paciência incomum, possivelmente devido ao clima em torno do clube: primeiro, um retorno que evocou emoções; depois, as eleições que exigiam contenção e discursos diplomáticos para não ofender sensibilidades, embora já se suspeitasse que ele não estava satisfeito com o que via, com o que tinha... e com o que não tinha.
Agora, porém, as circunstâncias mudaram. O jogo contra o Atlético poderá ser lembrado como um ponto de virada na forma como Mourinho exerce sua autoridade no Benfica, adotando um estilo mais agressivo e menos tolerante. É evidente que, se pudesse, ele teria um plantel composto por laterais e extremos de outra qualidade, algo que já se tornou perceptível para os próprios jogadores.
É sabido que a insatisfação no vestiário não traz resultados positivos, o que exige ações mais drásticas na comunicação interna e externa. Com a experiência que possui, parece que essa foi a intenção de Mourinho ao proferir palavras duras no Restelo, colocando a responsabilidade sobre os jogadores em relação ao que pode ser feito de diferente para o jogo contra o Ajax, na Champions, um gigante que enfrenta uma situação ainda pior que a do Benfica.
No entanto, é preocupante para a nação encarnada que essa chicotada ainda não tenha surtido efeito. Um treinador que se queixa da atitude dos jogadores dessa forma é típico de finais de ciclo, não de projetos em fase inicial, o que pode indicar que o problema é de maior dimensão.