Benfica Vence Nápoles e Mantém Esperanças na Champions League

Benfica Vence Nápoles e Mantém Esperanças na Champions League

O Benfica garantiu a sua segunda vitória consecutiva na atual edição da UEFA Champions League, desta vez contra o Nápoles. Jogando em casa, diante de seus torcedores, a equipe demonstrou uma estratégia eficaz, tanto em termos de posicionamento quanto de comportamento, resultando em uma exibição completa, a mais impressionante desde a chegada de José Mourinho.

A equipe optou por um bloco mais alto e pressionante. Com dois dias a mais de descanso em relação ao adversário, Mourinho foi astuto ao implementar uma pressão intensa sobre a fase de construção do Nápoles. As instruções claras visavam impedir as ligações intersetoriais no corredor central defensivo italiano, forçando a saída de bola napolitana para os flancos, onde as zonas de pressão foram previamente identificadas pelo treinador português. Os posicionamentos de Ivanovic, Barreiro, Ríos, Barrenechea, Aursnes e Sudakov foram cruciais para essa estratégia.

Ivanovic, fisicamente mais fresco e determinado a demonstrar seu valor, liderou a pressão. Ele decidia de que lado os italianos começariam a construir, sempre fechando a linha de passe interior para o central do meio da linha de três. Simultaneamente, Barreiro avançava em direção ao outro central que recebia a bola, posicionando-se de forma a bloquear passes para Elmas e McTominay, que eram bem marcados por Enzo e Ríos, forçando decisões com passes mais longos.

Graças a essa abordagem, tanto Sudakov pela esquerda quanto Aursnes pela direita conseguiram manter a linha do meio-campo, controlando as investidas ofensivas de Di Lorenzo e Olivera. Essa nova configuração defensiva do Benfica, em 1x4x4x2, ao invés do habitual 1x5x3x2, foi decisiva para neutralizar o ataque do atual campeão italiano.

Ao pressionar o Nápoles em um corredor lateral, as águias deslocaram Aursnes e Sudakov para áreas mais centrais, aumentando a eficácia das coberturas defensivas no corredor central e proporcionando maior tranquilidade à linha defensiva. Mesmo quando não era possível pressionar alto com uma estrutura 2+4, o Benfica manteve a organização necessária para evitar a criação de espaços para ligações interiores. Organizados em 1x4x4x2, os jogadores de Mourinho conseguiram neutralizar as jogadas italianas sempre que a bola estava descoberta.

A inclusão de Tomás Araújo no time inicial também foi um fator importante para evitar uma abordagem direta por parte de Antonio Conte. Sempre que a bola era lançada em profundidade, Araújo mostrou segurança e inteligência, não cedendo espaços a Hojlund. Nas raras ocasiões em que o Benfica se organizou defensivamente em 1x5x3x2, manteve a calma, contando com a disponibilidade física e mental de Barrenechea e Ríos para lidar com eventuais segundas bolas.

Ter Tomás Araújo na linha defensiva significa mais do que apenas contar com um defensor competente. Sua capacidade de passe e inteligência em campo o tornam fundamental para sair de zonas de pressão com critério e qualidade, seja através de passes curtos ou longos. Embora o Nápoles não tenha sido sufocante na reação à perda, Araújo trouxe o que a equipe precisava para avançar com qualidade.

O posicionamento de Enzo na meia esquerda durante a saída de bola foi crucial para a superioridade do Benfica ao longo da partida. Com Lang preocupado em acompanhar Dedic, Hojlund tentava condicionar Araújo, enquanto Neres se movia para dentro para pressionar Otamendi, caso recebesse a bola. No entanto, essa estratégia nunca se concretizou devido aos problemas de timing de Neres e à percepção de Barrenechea sobre os espaços disponíveis.

Dahl, projetado pela esquerda, atraía a atenção de Di Lorenzo e se beneficiava do posicionamento mais interior de Sudakov, que se escondia atrás de Elmas e McTominay. Aursnes replicava a posição de Sudakov, criando uma superioridade numérica de 3 contra 2 no corredor central. Se um dos médios italianos avançasse sobre Ríos, o outro teria que se preocupar com os dois jogadores ao mesmo tempo.

Graças a essa estratégia, o Benfica conseguiu penetrar o meio-campo defensivo italiano com relativa facilidade, frequentemente em vantagem posicional. A presença de Ivanovic também se fez sentir no momento ofensivo, assim como o posicionamento de Leandro Barreiro.

Forte na exploração de espaços, o croata foi fundamental para manter a linha defensiva italiana sob pressão. Ao contrário de Pavlidis, que prefere associar-se e abrir espaços, Ivanovic é um atacante de área, mais físico e menos técnico, mas muito forte em duelos. Sua inclusão no time titular impediu que o Nápoles subisse sua linha defensiva, causando desconforto na dupla de médios do time italiano, o que resultou em uma equipe menos compacta e mais estendida em campo, beneficiando o momento ofensivo do Benfica.

Ivanovic não foi escalado para abrir espaços, mas essa tarefa coube a Barreiro, que se posicionou próximo aos centrais italianos, atraindo-os ao tentar se movimentar entre as linhas. No duelo de estrategistas, Mourinho saiu vitorioso sobre Conte, preparando melhor a equipe e explorando as fraquezas defensivas do Nápoles, ao mesmo tempo que limitava as opções de Lang e Neres, os principais desequilibradores do time italiano. Com esta vitória, o Benfica mantém viva a esperança de continuar na maior competição de clubes da Europa.

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