Críticas ao Futebol Português e Gestão de Árbitros
Em 12 de fevereiro de 2021, o Benfica conquistou uma vitória de 3-1 sobre o Estoril na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Na sala de imprensa, Jorge Jesus expressou seu descontentamento em relação às simulações de jogadores em campo. Ele declarou: "Não são só os do Benfica ou os do FC Porto. São todos. Hoje em dia, qualquer toque, um leve contato, leva a gritos como se tivessem sofrido uma lesão grave. Os jogadores portugueses estão nessa situação. (...) Um leve toque e parece que foram atingidos por um golpe forte! Aconselho meus jogadores a terem mais seriedade, a respeitar o jogo e o futebol".
Quase cinco anos se passaram e as palavras do carismático treinador continuam relevantes, embora os protagonistas tenham mudado. Antes, a crítica era direcionada aos jogadores, mas atualmente, as queixas vêm dos clubes, especialmente daqueles que, ao final da temporada, frequentemente se beneficiam das decisões. José Mourinho comentou que outros "choram, pressionam e gritam", enquanto Francesco Farioli fez referência a incidentes de 1959, e Rui Borges, assistindo à transmissão de um jogo em seu tablet, lamentou não ter visto o polêmico pênalti que levou 14 minutos para ser concedido nos Açores. A insatisfação é palpável.
Em um momento em que a centralização dos direitos de transmissão é um tópico crucial para o futuro do futebol nacional, os estádios continuam a apresentar cenas desoladoras, como no caso do jogo entre Santa Clara e Arouca, onde apenas um torcedor compareceu na bancada visitante. A polêmica em torno do VAR, as suspeitas sobre as nomeações de árbitros e a análise minuciosa de lances de impedimento têm se tornado rotina. O treinador do Famalicão, Hugo Oliveira, expressou sua nostalgia pelos tempos em que os árbitros tomavam decisões sem a assistência da tecnologia, convivendo com suas escolhas, independentemente do resultado.
Ser árbitro em Portugal, mais do que uma vocação, tornou-se um ato de coragem, e não é surpreendente que cada vez menos pessoas queiram assumir essa função. Pedro Proença, a figura máxima do futebol em Portugal, deveria ter tomado uma atitude firme há muito tempo, mas suas aparições públicas parecem se restringir a momentos de sucesso das Seleções Nacionais. Esta é a realidade atual.
Nota: A gestão do recente incidente entre Caldas e SC Braga pela Federação Portuguesa de Futebol e Pedro Proença é considerada absolutamente vergonhosa e de mau gosto, refletindo uma liderança muito aquém do esperado. É necessário um mínimo de decência na administração do futebol.