Desafios de Rui Borges à frente do Sporting
Ser Rui Borges não é uma tarefa fácil. Embora o treinador do Sporting tenha o reconhecimento por ter sido o responsável pelo bicampeonato inédito em 70 anos e pela dobradinha que havia fugido do clube há mais de 20, a pressão sobre ele é imensa. Os leões lideram o campeonato, é verdade, com um impressionante saldo de 8-0 em golos após apenas duas jornadas. Além disso, as duas primeiras exibições na Liga foram muito elogiadas, refletindo a sua identidade, que ousou mudar do bem-sucedido 3-4-3 de Rúben Amorim para um 4-2-3-1, sistema que não funcionou em sua chegada em dezembro de 2024, mas que agora parece promissor no início da temporada 2025/2026.
Entretanto, a desconfiança persiste. Eu mesmo expressei dúvidas sobre a capacidade de Rui Borges em liderar o clube e, já no verão, sugeri que ele mantivesse o 3-4-3 em vez de implementar o novo sistema. Essa desconfiança, que se estende até mesmo aos adeptos que ostentam o escudo do bicampeonato conquistado sob sua gestão, tomou forma durante a pré-temporada, especialmente após exibições que não convenceram, em um cenário de mercado agitado tanto no Benfica quanto no Porto.
Rui Borges, sem dúvida, precisará de apoio. Mudar um esquema que foi tão eficaz requer a compreensão e o empenho dos jogadores, o investimento da SAD e a paciência dos adeptos, que frequentemente reagem a qualquer sinal de fraqueza. No entanto, os jogadores começam a entender bem o novo estilo de jogo, a administração forneceu um atacante para substituir Gyokeres, que se encaixa perfeitamente no novo sistema, e está empenhada em trazer um extremo-esquerdo de pé direito, que há muito tempo é uma busca nos mercados. Os adeptos, por sua vez, mostraram-se satisfeitos com as últimas atuações — a primeira vez que vi o sistema funcionar foi na Supertaça Cândido de Oliveira, que o Sporting perdeu para o Benfica, o que alimentou a desconfiança de muitos.
Ainda assim, mesmo com comparações sendo feitas ao estilo tiki-taka, muitos sportinguistas permanecem céticos em relação ao treinador. Alguns afirmam que ele ainda não enfrentou um teste significativo no campeonato que permita uma comparação justa. Essa desconfiança pode ser atribuída ao fato de Rui Borges não ser um treinador de comunicação assertiva, que é tão valorizada atualmente. Talvez isso se deva ao seu histórico fora das grandes áreas metropolitanas ou ao seu orgulho em ser de uma região conhecida por suas alheiras.
Por todas essas razões, a posição de Rui Borges é desafiadora. O confronto com o FC Porto, na quarta jornada, será um verdadeiro teste. Se vencer, muitos poderão reconsiderar suas opiniões sobre a capacidade deste Sporting sob sua liderança. Contudo, se perder, não será surpresa ver críticas surgirem, independentemente das circunstâncias do jogo, mesmo que a derrota se deva ao mérito do adversário. A desconfiança em relação a Rui Borges pode ressurgir, com alguns desdenhando de suas táticas com expressões depreciativas. No entanto, parece que Rui Borges não se deixa afetar por isso, especialmente considerando que o futebol apresentado nas últimas partidas foi, de fato, de alto nível.