Desinteresse pelo Mercado Interno: Uma Análise das Transferências dos Três Grandes

Desinteresse pelo Mercado Interno: Uma Análise das Transferências dos Três Grandes

A recente decisão dos três grandes clubes de futebol em Portugal de ignorar o mercado interno levanta questões, especialmente em um momento em que parece haver um novo potencial no setor. A cada semana, novos reforços são anunciados, com cada um dos clubes superando a marca de 50 milhões de euros em contratações. No entanto, ainda há muitos milhões reservados para gastos futuros, principalmente no exterior.

O Sporting, ao contrário de temporadas anteriores, tem se concentrado exclusivamente em contratações internacionais, mesmo após ter feito investimentos valiosos no mercado português. Jogadores como Pedro Gonçalves, Nuno Santos, Ugarte, Morita, Marcus Edwards e Diomande foram aquisições significativas, todas provenientes do mercado interno. Estes atletas, já adaptados à realidade do futebol português, apresentavam um baixo risco de não se destacarem em um grande clube. Embora o sucesso imediato não fosse garantido, a relação custo-benefício das contratações justificava, sem dúvida, a sua realização.

Um exemplo claro é Ricardo Mangas, que se mostrou uma das melhores aquisições do Sporting nesta janela de transferências, custando apenas 300 mil euros. No entanto, ele teve que se mudar para a Rússia para encontrar oportunidades em um clube de grande porte, mesmo após suas boas atuações em Guimarães. O mesmo se aplica a Rui Silva, que precisou de oito anos na Espanha para ter seu talento reconhecido em Portugal, assim como Jota Silva, que parece estar a caminho de Alvalade.

Considero Jota Silva uma excelente aquisição. Ele é versátil, competitivo e tem uma grande vontade de jogar, características cada vez mais valorizadas no futebol moderno, como demonstrado pela recente conquista do Mundial de Clubes pelo Chelsea. Já havia destacado Jota Silva como um dos melhores jogadores da Liga 2023/2024 e fiquei triste ao vê-lo partir para a Inglaterra após suas notáveis performances em Guimarães. O mesmo sentimento tive ao saber que Alberto Costa, um dos jogadores que mais me impressionou na última temporada, transferiu-se para a Juventus, após uma rápida ascensão no V. Guimarães. É louvável que o FC Porto tenha trazido Alberto de volta, embora também tenha vindo da Itália.

O Benfica, por sua vez, parece ignorar tanto o mercado interno quanto a contratação de jogadores portugueses. Apesar de possuir a melhor formação de jovens jogadores, a falta de oportunidades para esses talentos na equipe principal é preocupante. Embora se argumente que António Silva é titular e que Tomás Araújo, Florentino e Samuel Soares têm sido utilizados, isso ainda parece insuficiente.

Reitero minha dificuldade em entender a política desportiva do Benfica. Com médios como João Veloso, João Rego, Diogo Prioste e Rafael Luís, que já foi emprestado ao Estrasburgo, o clube não teria necessidade de tantas contratações. Além disso, é um desperdício não aproveitar Tiago Gouveia, um extremo agressivo e polivalente, que também possui grande vontade de jogar.

Não posso deixar de questionar qual é o projeto desportivo para os nove jogadores que recentemente se sagraram campeões da Europa sub-17. As últimas contratações do Benfica no mercado interno foram Manu Silva e Bruma, ambos lesionados, e já na temporada passada. Alisson Santos, adquirido ao UD Leiria, também parece não ter muito espaço em Alvalade, assim como João Costa, que trocou o E. Amadora pelo FC Porto e não deve passar de uma terceira opção na baliza.

Quem busca uma oportunidade em um grande clube terá que esperar, pelo menos, até janeiro. É difícil compreender como jogadores como Gustavo Sá, Roger ou Clayton, que já demonstraram seu valor, não tenham recebido chances em grandes clubes.

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