Eleições do Benfica: Novo Capítulo e Desafios à Vista

Eleições do Benfica: Novo Capítulo e Desafios à Vista

As eleições do Benfica, agendadas para o próximo dia 25 de outubro, entraram numa nova fase que revela claramente a relação entre o sentido de voto e os resultados desportivos. Além da desnecessária menção de Bruno Lage à promessa eleitoral de Noronha Lopes, que incluiu Bernardo Silva, o empate em casa contra o Santa Clara agitou os ânimos entre os candidatos, uma constante em atos eleitorais, independentemente da sua natureza.

Com a colocação de cartazes de Luís Filipe Vieira em Lisboa, que proclamam ‘O Presidente Voltou’, Bruno Lage tornou-se um alvo a ser atacado, visando enfraquecer Rui Costa. O discurso imediato parece ignorar o apuramento para a Champions, uma conquista que seria um alívio para o próximo presidente, seja quem for, assim como a vitória na Supertaça e o desempenho consistente do Benfica na Liga. O que ocorreu, com uma falha de Otamendi, levantou questões que, de outra forma, poderiam não ter sido colocadas.

Contudo, não atribuo a culpa exclusivamente a esse erro, pois o que aconteceu contra os açorianos já havia sido visto em jogos anteriores, como em Reboleira e Alverca, e também na temporada passada em Arouca e Aves. Esses empates, que custaram pontos valiosos, podem ter sido decisivos na corrida pelo título. É importante ressaltar que, ao afirmar que os pontos foram ‘oferecidos’, não estou desmerecendo o mérito de Arouca ou Aves, mas sim evidenciando a falta de instinto matador, profundidade e agressividade do Benfica, que permitiram ao adversário manter a esperança em vez de ser derrotado de forma contundente.

Com isso em mente, é necessário focar no plantel que o Benfica construiu, desconsiderando os números contraditórios apresentados pela SAD e pela Oposição, que pertencem, na verdade, ao campo da política. Com as contratações de Dedic, Obrador, Ríos, Barrenechea, Sudakov e Ivanovic, o Benfica agora possui mais recursos para formar uma equipe competitiva, o que também implica em uma maior exigência por parte dos adeptos.

Independentemente de quem vencer as eleições, o novo presidente terá à sua disposição os milhões da Champions para fortalecer as finanças do clube e um plantel de elevada qualidade, que poderá apenas necessitar de ajustes pontuais no mercado de inverno. Além disso, herdará o entusiasmo de uma base de adeptos rejuvenescida, que lota o Estádio da Luz em cada partida.

Embora seja verdade que nenhum clube ganha tudo sempre, o sucessor de Rui Costa (quem sabe, ele mesmo) terá condições incomparavelmente melhores do que aquelas enfrentadas por Manuel Vilarinho em 2000 ou Luís Filipe Vieira em 2003. Essa situação explica o número significativo de candidatos às eleições de outubro: o Benfica é um clube atrativo.

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