Jogadoras da WNBA Protestam por Aumento Salarial durante All-Star
Recentemente, durante o All-Star Feminino da WNBA em Indianápolis, as principais estrelas da liga se uniram em um protesto silencioso, usando camisetas pretas com a mensagem em letras brancas: "Paguem o que nos devem". A mensagem clara das jogadoras visava um único objetivo: a demanda por aumentos salariais.
Desde a assinatura do último acordo coletivo entre a WNBA e a associação de jogadores em 2020, a economia da liga passou por mudanças significativas. De acordo com a Bloomberg, a receita da WNBA cresceu de 102 milhões de dólares em 2019 para 119 milhões em 2023, antes da chegada de Caitlin Clark, que ajudou a impulsionar um dos anos mais marcantes da liga. Com a presença de Clark, a WNBA estabeleceu recordes de vendas de produtos e atraiu o maior público em 24 anos durante a temporada regular.
Em resposta a esse crescimento, a WNBA planeja se expandir para 18 equipes até 2030, com novas franquias em Portland, Toronto, Cleveland, Detroit e Filadélfia nos próximos cinco anos. O Golden State Valkyries se tornará a 13ª equipe na próxima temporada, e os grupos proprietários em Cleveland, Detroit e Filadélfia pagarão uma taxa de expansão de 250 milhões de dólares, um aumento substancial em comparação aos 50 milhões pagos pelos Valkyries em 2023.
Além disso, a WNBA firmou um novo contrato de direitos de transmissão com a NBC, que, segundo a imprensa americana, pagará à liga 2,2 bilhões de dólares nos próximos 11 anos, resultando em uma média de 200 milhões por temporada.
Com tanto crescimento, a questão que se coloca é como as jogadoras poderão se beneficiar desse aumento de interesse e receita, especialmente considerando que o acordo atual expira em 31 de outubro. Horas antes do All-Star, a liga e o sindicato se reuniram, mas as atletas saíram da reunião frustradas. Breanna Stewart, atacante do New York Liberty e vice-presidente do sindicato, comentou: "A reunião foi boa porque pudemos estar na mesma sala que a liga, mas, para ser honesta, foi uma oportunidade perdida. Não conseguimos discutir os pontos necessários".
Atualmente, os jogadores da WNBA recebem apenas 9,3% da receita da liga, um valor inferior a um quinto da participação de atletas em outras ligas profissionais. Em comparação, os jogadores da NBA recebem entre 49% e 51% das receitas, enquanto a NFL garante pelo menos 48,8% para seus atletas, e a NHL oferece 50%.
O salário médio na WNBA nesta temporada é pouco superior a 100 mil dólares, e o contrato de quatro anos de Clark é inferior a 340 mil dólares, resultando em cerca de 78 mil por temporada. "Queremos uma fatia do bolo todo", afirmou Kelsey Plum, jogadora dos Los Angeles Sparks. "Somos um grupo resiliente e sabemos que a união é necessária para alcançar o resultado desejado".
Steph Curry se manifestou a favor da causa, ressaltando a importância de unir esforços para reduzir a disparidade salarial. Diana Taurasi, a maior estrela do basquetebol feminino americano, também expressou sua frustração, afirmando que quem limpa o ginásio ganha mais do que ela. "Sou a melhor jogadora do mundo e tenho que jogar fora dos Estados Unidos para ser paga como uma capitalista", disse Taurasi, referindo-se ao tempo que passou jogando na Rússia.
Angel Reese, de 23 anos, também falou sobre a dificuldade de viver com um salário de 73 mil dólares, especialmente considerando suas despesas mensais. "A WNBA não paga minhas contas. Estou vivendo além das minhas possibilidades!". Ela complementa sua renda jogando em ligas diferentes fora da temporada da WNBA.
Shaquille O’Neal também se juntou ao debate, sugerindo que a altura das tabelas de basquete poderia ser ajustada para tornar o jogo feminino mais acessível. "A A'ja Wilson deveria estar ganhando 10 milhões de dólares por ano. É uma vergonha que ela ganhe apenas 200 mil", afirmou O’Neal, expressando sua indignação com a disparidade salarial.