José Azevedo Critica Retrocesso no Ciclismo Português e Anuncia Mudanças para 2024

José Azevedo Critica Retrocesso no Ciclismo Português e Anuncia Mudanças para 2024

Quatro anos após a fundação da Efapel Cycling, José Azevedo expressou sua desilusão com a situação do ciclismo português e anunciou que, em 2024, a equipe competirá fora do país. A principal preocupação de Azevedo é o retrocesso no combate ao doping no ciclismo nacional.

“É necessário aplicar os regulamentos para credibilizar a modalidade. É preciso haver consciência, ética, fair-play e respeito pelos adversários e por aqueles que investem. Isso foi promovido pela direção anterior da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC). Era um caminho de sucesso que estava sendo construído. Eu frequentemente conversei com o ex-presidente, Delmino, que conheço há anos, e ele sabe que sempre fui um grande defensor da implantação do passaporte biológico e da verdade desportiva”, afirmou Azevedo, ex-ciclista e ex-manager da equipe russa Katusha, em declarações à Agência Lusa.

O diretor da Efapel também mencionou situações difíceis enfrentadas por atletas de sua equipe que não estavam envolvidos no projeto, mas que acabaram abandonando o ciclismo devido a implicações relacionadas ao doping. “São pessoas pelas quais tenho muito respeito, pois enquanto estiveram na Efapel, tiveram um comportamento exemplar. O que aconteceu no passado não vou julgar. No entanto, tomei medidas, pois nesta equipe existem regras das quais não abro mão. Acredito que somos os únicos a trabalhar dessa forma”, explicou, referindo-se a Rafael Silva e João Benta, ex-ciclistas da equipe que foram suspensos devido a anomalias no passaporte biológico.

As críticas em relação ao doping continuam a ser severas. “Há dois anos, foi criada uma ferramenta [passaporte biológico] que foi muito importante e deveria ser utilizada como um instrumento de credibilidade. Mas para isso, deve haver rigor. Rigor, 100%. Não pode haver 99%”, enfatizou.

Azevedo também destacou a necessidade de medidas mais rigorosas por parte das equipes e da federação: “Não se pode permitir que, por exemplo, no ano passado, corredores ganhem provas quando todos sabemos que serão suspensos. Embora não haja motivos para suspender os contratos, as equipes poderiam deixá-los em casa. Para que a verdade desportiva prevaleça, um corredor não deveria competir enquanto houver um processo aberto. Isso é uma responsabilidade das equipes e da federação. Caso contrário, vamos descredibilizar o ciclismo.”

Reconhecido como um dos maiores nomes do ciclismo português, Azevedo terminou em 5º lugar no Giro de 2001 e no Tour de 2004, além de conquistar a 6ª posição na Volta à França de 2002. Sob a nova presidência de Cândido Barbosa na FPC, Azevedo observa um retrocesso: “Não sei o porquê, mas houve um retrocesso. Isso não pode acontecer e é penalizador. Isso nos leva a repensar se vale a pena investir no ciclismo português”, afirmou.

Ele também criticou a falta de apoio à formação: “A formação está abandonada, os apoios foram cortados este ano. Isso cria dificuldades para todos, pois os investimentos na formação são reduzidos. O ciclismo em Portugal é possivelmente a segunda modalidade mais popular e é um excelente veículo publicitário para as marcas. No entanto, precisa ser repensado. Se for necessário recomeçar do zero, que assim seja. Em cinco ou dez anos, podemos construir um esporte sólido, que atraia investimentos, salários dignos e ofereça retorno às marcas em termos de exposição mediática. Neste momento, não conseguimos fazer isso, pois a comunicação social não está colaborando”, lamentou.

Para Azevedo, “quem comanda o ciclismo em Portugal, quem tem a obrigação de defender os interesses do ciclismo, não está a fazê-lo”.

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