Mattia Caldara Anuncia Fim da Carreira Após Anos de Lesões

Mattia Caldara Anuncia Fim da Carreira Após Anos de Lesões

Mattia Caldara anunciou, neste sábado, o encerramento de sua carreira aos 31 anos, após enfrentar diversos problemas físicos, especialmente desde a temporada 2018/19, quando sofreu duas lesões graves: uma no tendão de Aquiles e outra no joelho.

Em uma carta aberta publicada no site do jornalista Gianluca Di Marzio, o ex-defensor, que passou por clubes como Milan, Juventus e Atalanta, compartilhou um emocionante testemunho. "Uma folha em branco, uma caneta. Fecho os olhos, expiro. Volto a abri-los, chegou o momento. Caro futebol, despeço-me de ti. Decidi parar. Não foi uma decisão fácil. Nem escrever estas palavras é fácil. 'Caro futebol, despeço-me de ti'. Continuo a relê-las. Talvez seja uma forma de aceitar. Agora encontrei alguma tranquilidade, mas demorei a tomar esta decisão. Tudo começou em julho, após uma consulta com um especialista: 'Mattia, já não tens cartilagem no tornozelo. Se continuares, em alguns anos teremos de te colocar uma prótese'. O meu corpo tinha-me traído. Desta vez, talvez, de forma definitiva", escreveu.

Caldara recordou os meses difíceis que enfrentou. "Foram meses difíceis. Aliás, anos. E não falo apenas desta escolha, mas de muito mais. Falo do que tem sido a minha vida desde que meu joelho se partiu. Lembro-me bem do primeiro passo após o lance: senti o chão a ceder debaixo do meu pé. Desmoronei. Primeiro fisicamente, depois mentalmente. Estava no auge da minha carreira e, em poucos segundos, tudo mudou. Com o tempo, melhorei, mas nunca mais estive bem. Nunca mais consegui voltar a ser aquele Caldara", continuou.

O ex-jogador afirmou que deixa o futebol para "retomar o controle" de sua vida: "Tentei, mas já não era possível. Esta corrida atrás de uma ilusão desgastou-me. Queria simplesmente ser quem tinha sido, ser eu mesmo. Retomar aquele sonho que estava a viver e, ao mesmo tempo, a perseguir. Esse sonho transformou-se numa utopia. Às vezes, a tentativa de alcançar uma utopia pode ajudar a caminhar. No meu caso, destruiu-me. As minhas expectativas e as dos outros, a esperança em algo impossível, a frustração: era demasiado para a minha cabeça, não estava preparado. Não estive bem. Já não era eu mesmo, nem com as pessoas que amava. Já não conseguia andar na rua de cabeça erguida. Tristeza, frustração, escuridão. Não sei se se chama depressão. Mas sei o que senti. Decidi deixar ir. Não para esquecer. Decidi deixar ir para retomar o controle da minha vida."

Caldara também recordou os primórdios de sua carreira na Atalanta e a transição para a Juventus, com um toque de arrependimento. "Muitas equipas interessaram-se por mim. Em dezembro, fui contratado pela Juventus. Naquela altura, a Juve era uma realidade à parte, inalcançável. No entanto, nunca joguei pelos bianconeri. Fiquei emprestado em Bérgamo [à Atalanta] e foi a decisão certa. Não estava pronto para um salto daquela dimensão. Cheguei a Turim em 2018, mas sem ficar. Vinha de épocas em que estava habituado a jogar e ali tinha à minha frente Chiellini, Bonucci e Barzagli. 'Tem paciência, Mattia. Fica aqui', repetia-me Giorgio. Mas eu sabia que não teria espaço. Fiquei poucas semanas, apenas para a pré-temporada. Quando soube do interesse do Milan, aceitei. Olhando para trás, teria sido melhor ter ficado. Fui fraco de cabeça. Teria sido bom para mim permanecer num mundo como o da Juve, aprender com aqueles campeões, crescer ao lado deles, mesmo sem jogar muito. Faltou-me alguma força mental e maturidade. Talvez a minha carreira tivesse sido diferente, quem sabe", reconheceu.

O ex-internacional italiano também relembrou as lesões que sofreu no Milan: "Cheguei ao Milan. Era a minha grande oportunidade. Naquelas cores estavam depositadas todas as minhas esperanças. Contudo, o sonho rapidamente se transformou num pesadelo. Em outubro, durante um treino, senti algo que nunca tinha sentido, como se alguém me tivesse dado um tiro no tendão. Pensei que me tinham pisado o tornozelo. Virei-me para ver: não estava ninguém. Seguiram-se meses de recuperação. Em março, estava pronto para voltar. Regressei na Taça de Itália contra a Lazio. 'Mattia Caldara está de volta'. Estava preparado para a minha estreia no campeonato", recordou.

No entanto, o infortúnio voltou a lhe atingir. "O Musacchio estava suspenso, seria a minha vez. Ia finalmente voltar a jogar na Serie A. Esperei tanto por aquele momento. Sentia-me bem. Tudo acabou em poucos segundos. Tenho essa imagem à minha frente. O Borini caiu sobre o meu joelho. 'Crack'. Levantei-me para voltar a correr, não podia ter-me lesionado outra vez. Assim que pousei o pé, caí no chão. A perna não me aguentava, o meu joelho estava desfeito. Um som, um segundo, um instante. A minha alma estava devastada. Foi nesse momento que algo mudou irreversivelmente. 'Da lesão no tendão eu tinha recuperado, mas o joelho era diferente. Eu sentia-o. 'Nunca mais voltarei a ser o que era'. Uma página da minha vida tinha-se fechado para sempre. Naquela semana, a minha vida mudou. Mudou para sempre. A minha cabeça não estava preparada para suportar as consequências. 'Mattia Caldara está acabado'", confessou.

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