Mundial 2026: Desafios à Inclusão e Unidade sob a Presidência de Trump

Mundial 2026: Desafios à Inclusão e Unidade sob a Presidência de Trump

Gianni Infantino, presidente da FIFA, prometeu que o Mundial de 2026 será o mais unido e inclusivo da história. Essa declaração é significativa, uma vez que o torneio contará com 48 seleções e será realizado em três países pela primeira vez. No entanto, isso ocorre em um contexto em que Joe Biden é presidente dos Estados Unidos.

Com Donald Trump na Casa Branca, a esperança de união e inclusão parece ameaçada, especialmente considerando a crescente divisão e retrocesso social no país. Recentemente, o presidente norte-americano ameaçou mudar as cidades-sede do torneio se julgasse que elas representavam riscos à segurança dos espectadores. Vale destacar que essas intervenções têm ocorrido apenas em estados e cidades governados por democratas, sem qualquer menção a locais com líderes republicanos.

Na quarta-feira passada, Victor Montagliani, vice-presidente da FIFA e presidente da Concacaf, lembrou Trump que a decisão sobre as cidades-sede do Mundial é da FIFA. Mudar os locais de competição a apenas oito meses do início do torneio, já com ingressos vendidos, seria inviável.

Durante uma conferência em Londres, Montagliani afirmou: "Com todo o respeito pelos atuais líderes mundiais, o futebol é maior do que eles e sobreviverá aos seus regimes, governos e slogans. Essa é a beleza do nosso esporte, é maior do que qualquer indivíduo e maior do que qualquer país."

Recentemente, a federação iraniana anunciou que sua delegação para o sorteio da fase final, programado para ocorrer em Washington D.C. no dia 5 de dezembro, teve seus vistos de entrada negados, incluindo para o treinador e o presidente da federação.

No Mundial de Clubes do último verão, já houve problemas com a entrada de jogadores, como foi o caso de Ayrton Costa, defensor do Boca Juniors, que foi inicialmente impedido de entrar nos EUA devido a uma condenação criminal, embora a situação tenha sido resolvida posteriormente.

Se a presença de algumas seleções, diretores ou jogadores for vetada pelo país anfitrião, isso levantará sérias questões sobre a realização do torneio. Embora Infantino tenha conseguido persuadir Trump em várias questões, existem barreiras que podem ser insuperáveis.

Além disso, a situação dos torcedores é preocupante. Enquanto a FIFA pode intervir em questões de vistos para as comitivas, quem cuidará dos fãs? Durante o Mundial de Clubes, muitos torcedores portugueses que compraram ingressos foram impedidos de viajar, sem explicações claras. Quem se arriscará a comprar passagens, ingressos e reservar hotéis para o Mundial de 2026, sabendo que pode ser barrado na entrada?

A segurança dos torcedores também é uma preocupação. Com as operações do ICE, que visam principalmente populações latinas, será que teremos ações policiais direcionadas ao público que comparecerá aos jogos?

A situação é tão crítica que o artista Bad Bunny, apesar de se apresentar no Super Bowl, decidiu que sua turnê nos EUA não incluirá shows no país, para evitar que o ICE visasse seus concertos.

Portanto, a promessa de um Mundial inclusivo parece uma ilusão, a menos que Infantino se refira apenas a algumas seleções que nunca antes se qualificaram, como a Jordânia e o Uzbequistão.

Com Trump no poder, há um risco real de que o espírito do Mundial seja comprometido. A responsabilidade de impedir isso recai sobre a FIFA.

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