O Papel dos Sócios nas Eleições do Benfica

O Papel dos Sócios nas Eleições do Benfica

O calendário eleitoral do Sport Lisboa e Benfica é, por vezes, mais intenso e disputado do que o de qualquer campeonato europeu. À medida que se aproximam as eleições de 25 de outubro, surgem duas questões centrais que nos motivam como investigadores: o que leva um sócio a envolver-se politicamente no clube? E qual o papel da comunicação social e das redes sociais nesse processo?

Num clube como o Benfica, que adota um modelo de governança híbrido (associativo + SAD), os sócios continuam a exercer um poder decisivo sobre o futuro da instituição. Em um momento em que muitos clubes adotam modelos empresariais, com investidores privados e estruturas fechadas, o Benfica mantém uma lógica democrática que merece ser estudada, valorizada e, acima de tudo, vivida.

Nesse contexto, é fundamental não enxergar os sócios apenas como consumidores. A sua ligação ao clube vai muito além do apoio nas bancadas ou da aquisição de produtos oficiais; trata-se de uma relação política e de cidadania desportiva. Enquanto alguns estudos avaliam o envolvimento dos adeptos por meio de métricas de marketing, como o fan engagement, propomos uma abordagem diferente: considerar o sócio como eleitor e agente ativo na vida política do clube.

Acreditamos que a comunicação, seja através de jornais desportivos, da imprensa generalista ou das redes sociais, desempenha um papel crucial na formação da opinião dos sócios. Não se trata apenas de relatar fatos; a comunicação constrói narrativas, destaca protagonistas, influencia percepções e pode, efetivamente, aumentar o conhecimento político dos sócios sobre o funcionamento interno do clube.

É essa dinâmica que buscamos compreender. Como é que o jornalismo e as redes sociais contribuem para a vitalidade democrática do Benfica? De que forma os sócios se informam, debatem e tomam decisões?

Por isso, fazemos um apelo direto aos sócios com direito a voto: participe no nosso inquérito online. A sua perspectiva é essencial para este estudo. Queremos saber como o noticiário, os comentários e as reportagens influenciam a sua visão sobre os rumos do clube.

O futuro do Benfica é decidido nas urnas, mas começa muito antes, na forma como os sócios se informam e participam. E é essa força democrática que desejamos estudar, valorizar e incentivar.

Autores: Luiz Haas e Élmano Ricarte, docentes na Universidade Europeia

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