Reflexões sobre a Taça da Liga e os Desafios do Benfica

Reflexões sobre a Taça da Liga e os Desafios do Benfica

As meias-finais da Taça da Liga revelaram várias verdades: o Sporting continua a enfrentar dificuldades na finalização, a evolução do Benfica parece ser uma ilusão, Luís Pinto está a realizar um excelente trabalho no Vitória de Guimarães, e o SC Braga, sob a direção de Carlos Vicens, tem se mostrado superior em confrontos contra os grandes clubes.

No último artigo, mencionei que o problema do Benfica é interno, relacionado com a falta de preparação, o desconhecimento da identidade do clube e, sobretudo, a falta de visão por parte da sua direção. No âmbito desportivo, a solução passa pela criação de novas expectativas para a próxima temporada, com uma estratégia que envolve vendas sucessivas seguidas de aquisições de jogadores. Essa abordagem resulta em uma rotatividade intensa do plantel, onde os melhores saem, mas a imagem que se passa é a de que novos talentos incríveis chegarão para resolver todos os problemas do clube. Isso gera um aumento nos orçamentos e custos, resultando em uma pressão financeira crescente.

Com esse padrão de gestão, é impossível criar uma identidade coletiva. A propaganda é utilizada para distrair os adeptos, gerando uma nova adrenalina a cada início de época. Investimentos são feitos para resolver problemas, cientes de que essas despesas precisarão ser pagas e que a SAD do Benfica está cada vez mais endividada. Sem um rumo claro, tenta-se ajustar aqui e ali, na esperança de que os adversários estejam despreparados. A expressão que começa a ser mais comum no início das temporadas é: 'este ano será diferente'. Assim, os anos vão passando sem que um plano definido seja estabelecido ou que a direção aprenda com os erros do passado.

O treinador é uma das figuras mais importantes em uma organização desportiva. Ele comanda a equipe de futebol, que tem o maior impacto dentro de um clube. Os principais ativos de um clube estão sob sua responsabilidade. Ele se comunica semanalmente com a mídia, que dissemina suas mensagens aos adeptos. A forma como a equipe se apresenta em campo e os resultados obtidos são responsabilidade do treinador. Portanto, a escolha deve ser feita com base em critérios claros e convicções firmes. É fundamental analisar o contexto do clube e seu ambiente antes de definir critérios que ajudem a identificar o perfil ideal de treinador.

Alguns desses critérios incluem a análise do desempenho do clube, a experiência do plantel, as características dos jogadores, como o estilo de jogo do treinador se encaixa nas habilidades disponíveis, e que tipo de comunicação e liderança se deseja no vestiário. Após definir esses critérios, as diferentes opções devem ser avaliadas para escolher a que mais se aproxima do desejado. O mais importante é ter convicção na escolha e saber apoiá-la nos momentos adequados. No caso do Benfica, nada disso foi realizado. Como Rui Costa mencionou durante sua campanha eleitoral, o Benfica contratou um treinador com um perfil vencedor. Porém, quando esse é o principal critério para a escolha, tudo desmorona quando as vitórias não aparecem.

José Mourinho comentou que a primeira parte do Benfica contra o SC Braga foi inexplicável, e essa descrição se mostra bastante precisa. Ao analisarmos a estrutura do clube, a palavra 'inexplicável' se torna a mais adequada para descrever a situação atual do Benfica. É surpreendente que Mourinho, após o jogo, se exima de responsabilidades, transferindo-as completamente para os jogadores, ao afirmar que se preparou adequadamente para a importância do duelo, mas sem saber se os atletas fizeram o mesmo.

É também inexplicável a falta de evolução no futebol da equipe. Justificar-se pela ausência de opções no banco, quando jogadores como Schjelderup, Ivanovic, Prestianni ou Sidny Cabral representam um investimento próximo de 50 milhões de euros, é difícil de entender. Ao considerar o panorama geral, é incompreensível que o Benfica tenha investido 130 milhões de euros e ainda assim tenha um plantel inferior ao da temporada anterior. É surpreendente que Rui Costa, presidente, tenha afirmado que levou quatro anos para formar um plantel para o presente e o futuro, enquanto seu treinador constantemente se queixa da falta de opções de qualidade para garantir uma maior rotatividade.

Por fim, é inexplicável convocar uma Assembleia Geral para aprovar um conceito e não um projeto, além de realizar a votação online sem a presença de uma entidade independente que audite e valide todo o processo de maneira transparente. Em última análise, o problema do Benfica não é apenas a perda de jogos, mas sim a falta de clareza sobre o que realmente deseja se tornar.

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