Reflexões sobre o Futebol em Portugal e o Papel de Frederico Varandas
Em Portugal, o futebol possui um impacto mediático significativo, o que torna a comunicação essencial para moldar a percepção dos adeptos. Essa realidade tem impulsionado o crescimento de empresas de comunicação, cujo objetivo muitas vezes é transformar informações negativas em narrativas positivas.
O selecionador nacional, Roberto Martínez, tem se esforçado para se integrar à cultura portuguesa, demonstrando um empenho em falar português durante as conferências e mantendo uma postura amigável com todos. No entanto, a situação muda quando analisamos o desempenho da seleção dentro de campo. É importante reconhecer que não existe uma única fórmula para o sucesso, e, nesse aspecto, não concordo com a abordagem de Martínez.
O trabalho de um selecionador é mais complexo do que o de um treinador de clube, pois o tempo de treino é limitado. Essa realidade torna mais desafiador implementar rotinas eficazes. Ao observar a Seleção Nacional em ação, reflito frequentemente sobre essa dinâmica.
Martínez frequentemente posiciona jogadores em áreas onde eles não costumam atuar e altera constantemente os sistemas táticos, o que pode confundir tanto os adversários quanto os próprios atletas. Um exemplo claro é Nuno Mendes, que se destacou na fase final da Liga das Nações, onde pôde explorar o corredor esquerdo. A vitória na Liga das Nações ilustra que, ao simplificar a equipe, conseguimos superar os adversários. Assim, é importante lembrar que nem tudo é negativo em uma derrota, nem tudo é positivo em uma vitória.
Apesar de Martínez ter uma alta taxa de vitórias, sinto que estamos a perder tempo. Após quase três anos sob sua liderança, esperava um desempenho mais consistente. Essa percepção se intensifica ao comparar o nosso futebol com o da Espanha. A Espanha, com jogadores que não considero superiores aos nossos, apresenta um futebol encantador. Isso se resume ao que Johan Cruyff costumava dizer: "no futebol, o difícil é fazer o simples".
Se o selecionador nacional tivesse adotado um estilo de jogo semelhante ao de De La Fuente na Espanha, teríamos alcançado mais sucesso? Não posso afirmar. No entanto, é evidente que, se tivéssemos uma estratégia clara desde o início, nossa confiança em campo seria muito maior, pois a incerteza sobre a formação da Seleção é uma constante.
Recentemente, surgiram rumores de que o Al Ahli, da Arábia Saudita, estaria interessado em contratar Frederico Varandas como CEO do clube, com uma proposta que teria sido de €12 milhões. Contudo, é importante esclarecer que, convertendo a moeda, o valor real seria de cerca de €2,7 milhões em três anos. O que realmente intriga é como Varandas chegou ao ponto de receber tal proposta, pois seria surpreendente um clube querer contratar um CEO sem uma entrevista prévia.
Frederico Varandas, atual presidente do Sporting, aceitou passar por um processo de recrutamento enquanto lidera o clube que ama? Essa situação é ainda mais confusa, uma vez que ele foi eleito e não contratado. Além disso, a proposta sugeria que ele começaria imediatamente. Isso levanta várias perguntas: Varandas realmente considerou sair do Sporting? Podemos comparar a posição de um presidente à de um diretor-geral? Não deveria ele ter recusado a abordagem inicial?
É interessante notar que a notícia de que até na Arábia Saudita desejam contratar o presidente do Sporting parece reforçar seu valor e qualidade. No entanto, ao passar por todo o processo até a formalização da proposta, Varandas pode ter prejudicado a cultura do clube. A partir de agora, será difícil para ele questionar qualquer colaborador, seja jogador, treinador ou diretor, que converse com outros clubes.
Mais uma vez, a comunicação falhou. Não sei se o que foi dito pelo treinador do Benfica foi mal interpretado ou não. Ele afirmou que este foi o primeiro mercado em que a direção desportiva e o presidente ouviram a opinião do treinador. O gabinete de comunicação do Benfica rapidamente corrigiu a declaração, afirmando que ele se referia ao mercado de verão. Essa confusão levanta várias questões.
A primeira é que essa declaração não pode ter sido apenas uma ideia de Lage, pois, se analisarmos suas palavras, a imagem do projeto desportivo do Benfica é bastante negativa. No mercado de inverno, o Benfica contratou jogadores como Bruma, Bellotti, Dahl e Manu, sem consultar o treinador, enquanto estava na Liga dos Campeões e lutando por títulos. Essas declarações de Lage podem estar tentando transferir a responsabilidade pelo insucesso da última temporada para a administração.
Por outro lado, se Lage realmente quis se referir ao mercado de verão, estaria ele enviando uma mensagem a Vieira? A rápida correção do gabinete de comunicação sugere que a mensagem foi planejada e não fruto de uma declaração espontânea do treinador. Faz sentido um treinador querer se envolver nas eleições? Ele é um funcionário do clube ou do presidente?