Reflexões sobre o Oato Eleitoral do Benfica
O ato eleitoral do Benfica ocorreu ontem. Sem acesso aos resultados, vou me concentrar nos aspectos positivos e negativos da campanha.
Começando pela BTV, é compreensível que os profissionais desse canal enfrentem desafios ao lidar com o processo eleitoral, visto que quem controla a emissora é uma das partes interessadas. Apesar dessa limitação, a relevância dessas eleições exigia que a televisão do clube estivesse presente e demonstrasse independência em suas funções. Foram realizadas entrevistas individuais com um formato padronizado para todos os candidatos, onde o tom, o conteúdo e a dinâmica foram consistentes.
A BTV deu voz e espaço para que todos os candidatos apresentassem suas ideias. A gestão das entrevistas foi independente e rigorosa. Destaco dois pontos importantes: primeiro, a liderança da BTV reconheceu a importância de a emissora servir ao clube em determinados momentos, e não apenas a quem o dirige. Em segundo lugar, a competência dos profissionais da BTV foi evidente.
O debate entre os candidatos foi bem organizado, permitindo que todos apresentassem seus argumentos, com uma moderação eficaz e total independência.
Um ponto negativo, que não diz respeito aos profissionais da BTV, foi a ausência de debates um a um. Independentemente do número de candidatos, seria relevante ter um formato mais reduzido para promover um confronto de ideias mais específico e, consequentemente, um maior esclarecimento para os sócios que desejam votar de forma consciente.
Nos últimos meses, todos os candidatos tiveram a oportunidade de expor suas ideias. Com o crescimento das redes sociais, é mais fácil para eles alcançarem um público maior. Candidatos mais conhecidos tendem a receber mais atenção da mídia, enquanto aqueles com menos visibilidade buscam atingir seu público-alvo através de podcasts e entrevistas em diversas plataformas.
Minha análise se concentra em como as diferentes equipes de campanha gerenciaram suas estratégias. Entendo que candidatos menos conhecidos precisem atender a todas as solicitações para se apresentarem, mas questiono a eficácia de dar entrevistas repetidas em diferentes horários. Faz sentido responder às mesmas perguntas várias vezes ao dia? Essa repetição pode criar uma imagem negativa que não compensa a disponibilidade demonstrada.
Em períodos eleitorais, cada detalhe conta e as decisões devem ser tomadas com critério. Embora não esteja sugerindo que os candidatos evitem entrevistas, aqueles com maior visibilidade devem ser mais seletivos. Às vezes, menos é mais. Como mencionei na semana passada, esta campanha foi marcada por clichês e ideias mecanizadas. Se os candidatos tivessem sido mais seletivos, será que a percepção teria sido diferente? A repetição de clichês pode ter sido exacerbada pela alta quantidade de solicitações que os candidatos mais destacados atenderam. Esta é uma questão a ser considerada.
Seis candidatos se apresentaram, o que permite várias conclusões. O Benfica é um clube extremamente atrativo. O presidente do Benfica desfruta de um status raro em Portugal, com uma dimensão social, reconhecimento e influência que tornam o cargo muito desejável.
É positivo que haja seis candidatos com ideias e projetos distintos. Ao contrário do que se pode pensar, não vejo isso de forma negativa. Seis candidatos não deveriam causar pressão no clube, a menos que o ato eleitoral seja encarado como uma guerra ou uma ameaça.
A questão é que há mais opções disponíveis. Os sócios votantes devem ser capazes de discernir, de maneira natural, o que desejam para o futuro do clube, identificando quem são os populistas que buscam apenas protagonismo. Esses são os candidatos que podem ser perigosos.
É crucial que os sócios também reconheçam quem está mais preparado para a função e quais candidatos representam os valores e a cultura que desejam ver refletidos no clube. Independentemente do resultado da votação de ontem, espero que estas eleições tragam mais transparência, competência e credibilidade ao Benfica e, indiretamente, ao esporte em Portugal.