Sporting Domina Kairat em Jogo de Liga Europa

Sporting Domina Kairat em Jogo de Liga Europa

Sven-Goran Eriksson tinha uma frase emblemática para momentos em que a diferença de potencial entre as equipas era evidente: "Não há jogos fáceis, há jogos que podem tornar-se fáceis". O mestre sueco estava, como se viu em Alvalade durante o Sporting contra o Kairat Almaty, absolutamente certo. Os leões demoraram a descomplicar a partida, em grande parte devido a falhas próprias, mas também pelo mérito do Kairat, que demonstrou ousadia com a bola, beneficiando da falta de pressão habitual da equipa de Rui Borges no meio-campo.

Embora o resultado final não tenha deixado margem para dúvidas sobre a superioridade dos anfitriões, a partida teve momentos de apatia, incluindo uma grande penalidade cobrada de forma displicente por Hjulmand, que tentou imitar o estilo de Bruno Fernandes. O jovem guarda-redes Kalmurza, de 18 anos, fez duas defesas notáveis. Foi apenas perto do intervalo, após uma excelente intervenção de João Virgínia contra um potente remate de Satpayev, que Francisco Trincão finalmente abriu o marcador com um chute cruzado de pé esquerdo. Embora o gol tenha sido um alívio, o Sporting ainda tinha a expectativa de um segundo tempo mais produtivo.

Do ponto de vista tático, os primeiros 45 minutos foram previsíveis, com o Sporting a jogar em 4-2-3-1. Quenda teve mais detalhes do que continuidade, enquanto Maxi se aventurou pouco no ataque. O Kairat, por sua vez, optou por uma defesa a quatro, raramente formando um quinteto defensivo, e Jorginho e Satpayev dificultaram as saídas de bola dos leões.

No segundo tempo, o Sporting voltou lento e desconcentrado. Aos 47 minutos, João Virgínia evitou um gol que parecia certo de Satpayev. Na resposta, Suárez, participando ativamente, cabeceou à trave, e a partida começou a desagradar aos adeptos em Alvalade, com os leões jogando para trás e para os lados, enquanto os cazaques trocavam a bola e criavam situações potencialmente perigosas.

Insatisfeito, Rui Borges fez alterações aos 61 minutos, trazendo Ioannidis para o ataque, Allison Santos para a ala e Morita para o meio. As mudanças surtiram efeito rapidamente. Aos 65 minutos, Trincão marcou novamente, desta vez com um forte passe assistido por Fresneda. Dois minutos depois, Quenda finalmente se destacou, proporcionando uma jogada magnífica que resultou no gol de Allison. Aos 68 minutos, Quenda fez uma jogada espetacular, driblando vários adversários e colocando a bola no fundo das redes de Kalmurza, reminiscentemente à famosa alegoria do ketchup de Cristiano Ronaldo no Mundial de 2010.

Com 4-0 no placar aos 68 minutos, pensou-se que o Kairat, visivelmente desgastado, sairia de Alvalade com uma derrota pesada. No entanto, o Sporting diminuiu o ritmo, e alguns jogadores, incluindo Trincão, que estava próximo do hat-trick, pareciam esquecer a importância da coletividade no futebol. A magia que encantou os adeptos durante aqueles breves momentos começou a desaparecer.

Ainda assim, sem uma grande coesão coletiva e sem forçar, o Sporting, que fez substituições com Debast e Matheus Reis, teve várias oportunidades de marcar o quinto gol, incluindo uma incrível chance perdida por Trincão aos 80 minutos. Fresneda e Ioannidis quase marcaram, mas a falta de entrosamento entre eles impediu o gol. O destino quis que a claque do Kairat, que fez-se ouvir em Alvalade, celebrasse como se tivesse vencido quando, aos 85 minutos, Edmilson disparou um remate certeiro após um cruzamento de Ricardinho, marcando o gol de honra para os visitantes.

O resultado final de 4-1 deixou um gosto amargo para o Sporting, especialmente considerando que as qualificações para a Champions são sempre apertadas e, com o formato atual, o resultado entre os dois clubes perdeu relevância. Contudo, aqueles três minutos de loucura, com a obra-prima de Quenda como o ponto alto, tornaram-se a história de um jogo que cumpriu os parâmetros esperados, sem que o Bernabéu ou a Luz fossem mencionados.

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