Tiffany Abreu e o Debate sobre Inclusão no Voleibol Feminino

Tiffany Abreu e o Debate sobre Inclusão no Voleibol Feminino

Rodrigo Pereira de Abreu, que em 2008/09 representou a equipa masculina do Esmoriz, é agora Tiffany Abreu, uma jogadora transgénero que tem gerado intensos debates no voleibol feminino.

Com uma carreira que começou nas italianas do Golem Palmi na Série A2 há oito anos, a sua participação em competições femininas sempre suscitou questões sobre a legitimidade de sua presença em campo, especialmente devido ao seu porte físico e altura de 1,98 metros, que pode oferecer vantagens em uma rede a 2,24 metros, 19 centímetros mais baixa do que nas competições masculinas.

Recentemente, a oposta de 41 anos foi impedida de participar do Mundial de Clubes de Voleibol Feminino com o Osasco, equipe com a qual conquistou a Superliga em maio. Tiffany atende aos critérios de elegibilidade para mulheres trans jogarem voleibol profissionalmente, tendo sido autorizada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para disputar a Superliga desde 2017. No entanto, não obteve a autorização da FIVB para participar de torneios internacionais a tempo do Mundial de Clubes, uma decisão que, segundo fontes, foi apenas uma questão de tempo.

Após a conquista da medalha de bronze pelo Osasco no último fim de semana, Tiffany expressou sua indignação em relação à demora da FIVB, afirmando: “Por mais que tentem me tirar do jogo, não conseguiram apagar o amor que as pessoas sentem por mim e o que eu sinto pelo voleibol. Jamais vamos desistir, porque quando derrubam uma pessoa trans no desporto, estão derrubando a sociedade e o espaço de inclusão no desporto. Não fiz nada de errado, estou dentro de todas as regras. O que está acontecendo é simplesmente um absurdo”.

Apesar de não estar jogando, Tiffany esteve presente todos os dias no pavilhão em São Paulo, apoiando a equipe. O público aclamava seu nome após a apresentação das atletas, demonstrando seu carinho e apoio. Após a entrega das medalhas, o treinador Luizomar de Moura convidou Tiffany para tirar a foto oficial no pódio com a equipe, momento que emocionou a jogadora.

Até 2017, Tiffany competiu em campeonatos masculinos, tendo passado por Portugal, Indonésia, Espanha, França, Holanda e Bélgica. Foi enquanto jogava na segunda divisão belga, pelo JTV Dero Zele-Berlare, que completou sua transição e recebeu autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para competir em provas femininas.

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