A Dilema entre Resultados e Estilo no Futebol Português

A Dilema entre Resultados e Estilo no Futebol Português

A questão sobre se uma equipa deve priorizar, em regime de exclusividade, a obtenção de resultados a qualquer custo, sem se preocupar com o espetáculo ou a beleza do jogo, é um debate antigo que continua a ser relevante no atual cenário do futebol. Pep Guardiola defende que "a forma como gostamos de jogar é com a bola", sublinhando que não há fórmulas mágicas para vencer, enquanto Sérgio Conceição é mais direto, afirmando que "o tiki-taka é meter a bola lá dentro".

Este debate é especialmente pertinente no contexto do futebol português, onde Sporting, Benfica e FC Porto, os três primeiros classificados da Liga 2024/25, investiram cerca de 300 milhões de euros em plantéis repletos de talento, todos em busca do tão almejado sucesso. É natural que os adeptos, que investem em quotas, bilhetes e direitos televisivos, questionem: o que se exige a uma grande equipa?

Os defensores dos resultados têm um argumento forte: no fim, o que realmente conta são as vitórias. Quem se lembra da estética de alguns campeões ao longo do tempo? O troféu é erguido, os sorrisos ficam eternizados nas fotografias, enquanto o resto se desvanece. Por outro lado, os que defendem o espetáculo argumentam que o futebol é uma arte que surge do risco e da ousadia, cativando multidões e fidelizando novas gerações. Ganhar é importante, mas encantar é o que transforma triunfos em lendas.

Jorge Valdano, ex-jogador campeão mundial pela Argentina, afirma que "o futebol é, antes de tudo, uma emoção. Se não emociona, não é futebol". Ele, que jogou ao lado de Diego Armando Maradona em 1986, oferece uma visão única sobre o desporto, considerando-o "apenas uma desculpa para sermos felizes".

A diferença entre conquistar e inspirar é notável. Para um clube considerado pequeno, a luta pela permanência pode justificar a primazia dos resultados. No entanto, para os três grandes do futebol português, a exigência deve ser maior. A indústria não perdoa derrotas, os treinadores são reféns da tabela e os adeptos têm pouca paciência para projetos de longo prazo. É mais fácil ser resultadista num calendário competitivo e implacável, mas a verdadeira grandeza mede-se pela capacidade de resistir.

Valdano adverte que "o resultado é uma tirania que empobrece o futebol". A solução pode estar no equilíbrio. Não se trata de escolher entre vencer ou jogar bem, mas de reconhecer que o verdadeiro sucesso exige ambos. Como salientou um escritor: "Que ninguém se engane, quando se perde uma partida ou um campeonato, haverá outras oportunidades; quando se perde o estilo, perde-se tudo".

O bom futebol também é um ativo financeiro. Jogadores que brilham em campo valorizam-se, tornando-se apetecíveis para mercados endinheirados e gerando receitas. Uma equipa que encanta atrai patrocinadores, vende camisolas e cria mitos que percorrem o mundo.

Os cuidados estão nas mãos de Rui Borges, Bruno Lage e Francesco Farioli, todos com potencial suficiente para criar omeletes gourmet na temporada 2025/26.

A última vez que vi Sporting, Benfica e FC Porto a aliarem eficácia e beleza? Os leões nos primeiros meses da época passada, antes da saída de Ruben Amorim para o Manchester United; as águias na metade inicial de 2022/23, sob a liderança de Roger Schmidt, que perderam energia com a saída de Enzo Fernández para o Chelsea; e os dragões em 2021/22, sob Sérgio Conceição, que foram afetados pela despedida de Luis Díaz, que se transferiu para o Liverpool em janeiro.

"O futebol é, antes de tudo, uma emoção. Se não emociona, não é futebol", recordam-se?

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