Ajax e Benfica: Um Confronto Histórico na Liga dos Campeões

Ajax e Benfica: Um Confronto Histórico na Liga dos Campeões

Ajax e Benfica: Um Confronto Histórico na Liga dos Campeões

AMSTERDÃO — O embate entre Ajax e Benfica na Liga dos Campeões evoca memórias do futebol de outrora, antes da era dos negócios multimilionários e das discussões sobre direitos de transmissão e videoarbitragem.

A rivalidade entre os godenzonen — filhos dos Deuses, em homenagem ao herói grego Ajax — e as águias teve início na temporada 1968/69, em uma eliminatória a três mãos. Naquela época, o Benfica venceu por 3-1 em Amesterdão, mas o Ajax reverteu a situação com um resultado igual na Luz. A decisão foi levada a um campo neutro em Paris, onde o Ajax triunfou por 3-0 após um empate no tempo regulamentar. Esse jogo simbolizou a transição do Benfica, dominante nos anos 60, para o Ajax, que se tornaria tricampeão europeu nas edições de 1970/71, 1971/72 e 1972/73, com Johann Cruyff em destaque.

Atualmente, a situação é bem diferente. Nesta noite, na Johann Cruyff Arena, os dois clubes se enfrentam na última posição da tabela da Liga dos Campeões, com a certeza de que um deles sairá com pontos. Tanto Ajax quanto Benfica ainda não conseguiram pontuar após quatro derrotas nas jornadas anteriores, tornando este jogo quase uma final.

O Benfica chega aos Países Baixos após semanas de atuações decepcionantes, enquanto o Ajax enfrenta uma crise estrutural, resultando nas saídas do treinador John Heitinga e do diretor-geral Alex Kroes no início do mês. A equipe de Fred Grim conquistou apenas uma vitória nos últimos nove jogos e perdeu em casa para o recém-promovido Excelsior no último fim de semana.

Para entender melhor a situação do Ajax e o que o Benfica pode esperar, conversamos com Eduard van den Brink, jornalista do VoetbalPrimeur. "Esta equipe carece dos jogadores certos, e os poucos com qualidade não se encaixam bem. A qualidade do passe no ataque é péssima, e a equipe comete erros individuais que resultam em pênaltis em quase todos os jogos. Os torcedores estão apreensivos quanto ao jogo de hoje e temem que o Ajax se torne o novo Anderlecht", comenta Van den Brink.

Relembrando o passado, em 2018/19, o Ajax quase chegou à final da Champions, mas foi impedido por uma reviravolta épica do Tottenham em Amesterdão. Naquela época, sob o comando de Erik ten Hag, o Ajax encantou a Europa com seu futebol vibrante, eliminando gigantes como Real Madrid e Juventus. Contudo, a atual geração não possui o mesmo potencial.

"A nova geração não tem a qualidade da de 2019. Embora exista talento em jogadores como Mokio e Godts, ainda estão longe de serem decisivos. A saída de Marc Overmars em 2022 precipitou a queda do clube, que não elaborou um plano sucessório. O Ajax parece preso ao passado e carece de nova liderança", afirma Van den Brink.

A temporada passada foi desastrosa para o Ajax, semelhante ao colapso do Benfica em 2012/13. O Ajax tinha uma vantagem de nove pontos sobre o PSV, mas em um colapso sem precedentes, a vantagem desapareceu nas últimas jornadas. "A saída de Farioli foi um fator crucial. Ele era uma voz respeitada e amada pelos jogadores. Se ele ainda estivesse, a equipe seria competitiva", destaca o jornalista.

Apesar dos desafios, o Ajax ainda possui qualidade em seu elenco, com destaque para Oscar Gloukh, um jogador talentoso que pode causar problemas à defesa do Benfica. "Gloukh tem sido um ponto de luz em uma temporada difícil, e Weghorst é uma ameaça na área, embora sua condição física seja incerta. O Ajax pode explorar as fraquezas defensivas do Benfica, principalmente pelas laterais e em lances de bola parada", conclui Van den Brink.

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