Futebol do Benfica: Novas Diretrizes e Foco na Formação
Como vice-presidente do futebol do clube, você se tornará administrador da SAD em caso de vitória. Que abordagem você defende para o Benfica?
Eu serei o responsável máximo pelo futebol, abrangendo as categorias profissional, de formação e o futebol feminino. Juntamente com o presidente, seremos os responsáveis por definir a política desportiva do clube e o que desejamos para o futuro a médio e longo prazo.
No que diz respeito ao futebol feminino, nosso objetivo é criar um departamento específico, interligado ao departamento de scouting masculino, além de aumentar o investimento na formação feminina. Acreditamos que o Benfica pode melhorar ainda mais nesse aspecto. Queremos que o futebol feminino continue a evoluir e alcance novos patamares. Um excelente trabalho está sendo realizado, mas acreditamos que podemos fazer mais em termos de projeção europeia. É fundamental que nos esforcemos para reter as melhores jogadoras.
Em relação às infraestruturas, embora o Benfica tenha feito progressos nas condições oferecidas às jogadoras, buscamos identificar o melhor local, possivelmente em Seixal, para que elas tenham um espaço que consideramos um verdadeiro quartel-general, com dignidade. Desejamos unificar as três áreas de intervenção no futebol, promovendo uma maior interligação e uma estrutura vertical que abranja desde a equipe principal até a formação e o futebol feminino. A unificação de processos e uma comunicação mais eficaz entre todos os departamentos são essenciais. Para a equipe principal, nosso objetivo é contratar menos, mas com maior precisão.
Nessa abordagem de contratar menos e acertar melhor, é crucial para o Benfica que a formação esteja cada vez mais presente na equipe principal?
Sem dúvida. Queremos uma presença real e não esporádica, e trabalharemos para abrir espaço para que os jovens talentos possam se afirmar. Esse será um princípio que iremos incutir em nossas ações. Buscamos realizar vendas e empréstimos de maneira inteligente.
Como você vê situações como a saída de João Neves?
É sempre complicado comentar sem conhecimento de causa. Em relação ao João Neves e a futuros jogadores como ele, nosso objetivo é evitar reações impulsivas. Queremos uma gestão mais integrada, valorizando e reconhecendo o mérito dos jogadores formados no clube. Eles devem receber acompanhamento especializado em todas as áreas, tanto dentro quanto fora de campo. Muitos jogadores que chegam à equipe principal e se destacam olham para os lados e veem colegas da mesma idade que custaram entre 10 e 15 milhões de euros, vindo do exterior, com salários desproporcionais. Queremos reconhecer o valor e a importância desses jogadores. Desejamos que a equipe principal tenha atletas que compreendam o que é o Benfica, que tenham passado pelo processo de Seixal, e que tragam consigo a identidade e a mística que queremos resgatar. Além disso, queremos aproximar a equipe dos adeptos, e isso se faz com jogadores que compartilham a mesma paixão que os torcedores.