Rui Costa Reeleito Presidente do Benfica em Meio a Desafios

Rui Costa Reeleito Presidente do Benfica em Meio a Desafios

Rui Costa foi reeleito presidente do Benfica com mais de 65% dos votos. Poucas horas após a sua vitória, a equipe empatou em casa com o Casa Pia, marcando o 12.º jogo sob o comando de José Mourinho, que ainda não conseguiu solucionar os problemas que persistem desde a gestão de Bruno Lage e a última sob Roger Schmidt.

Como tem sido comum em suas passagens anteriores, Mourinho reclamou de um pênalti não marcado, enquanto Rui Costa também se mostrou previsível ao afirmar que “assim se perdem campeonatos”. Em meio às eleições acaloradas, ele reagiu rapidamente após ser criticado por não defender o clube. Contudo, “assim” como? Apesar de ter aberto o placar com 2-0, o pênalti foi defendido por Trubin, e uma precipitação de Tomás Araújo resultou em um gol contra que comprometeu a equipe. O jogo ainda teve mais oportunidades e um gol anulado. O segundo gol do Casa Pia foi resultado de dois erros individuais, de Ríos e Trubin, e revela um fracasso coletivo que se destaca em quase todos os jogos: a incapacidade de dominar ou controlar a partida.

Se Rui Costa se referia à arbitragem, sua justificativa é fraca. Se falava sobre os erros acumulados, muitos dos quais são de sua responsabilidade, talvez tenha razão. A perda de uma mentalidade vencedora e o respeito dos adversários são preocupantes. Se continuar nesse caminho, o clube pode se tornar comum, perdendo sua identidade diante dos árbitros e se igualando a equipes menores. Isso não transforma o erro em algo intencional, mas pode facilitar a vida dos adversários. A força da liderança é visível nesses momentos.

O empate de domingo é mais um sinal de que o clube ainda não encontrou um rumo, no dia em que entrou para o Guinness. A mensagem, no entanto, parece ter chegado aos torcedores e sócios. Muitos, após 13 anos de experiência e quatro no poder, decidiram dar mais uma chance a Rui Costa, ecoando a ideia de que “ninguém respeita o Benfica”.

Aqueles que acompanham esta crônica não se surpreenderão com a minha opinião sobre Rui Costa e sua presidência. Agora, ele conta com a cumplicidade de mais de 58 mil pessoas que decidiram ignorar a realidade do clube. Todos eles, de certa forma, aceitaram compartilhar a responsabilidade pelos próximos anos com o presidente.

Acredito que os votos na lista G foram direcionados mais ao jogador, ao “bom filho que voltou para casa”, do que ao presidente, que viu sua estrutura se desmantelar até tentar uma remodelação após aumentar custos e obter poucos resultados. Alguns até podem ter votado em Mourinho, uma marca que só não será o último erro de Rui Costa porque os sócios ampliaram a margem de erro, mostrando-se prontos para mais um mercado que, pelo estilo do técnico, pode afastar a equipe de sua ambição de dominar.

O que ocorreu na Luz contra o Casa Pia não foi um karma ou resultado de uma arbitragem ruim. A atuação reflete a falta de direção que penalizou a equipe desde os primeiros seis meses de Schmidt, o último que buscou construir um time verdadeiramente dominante. Os sucessores portugueses, ao contrário, confiam em poucos e afastam outros. Não foi um acidente; isso se repetirá, e as ideias de Mourinho, se mantidas, podem afastar ainda mais a equipe do que precisa para ser sólida.

Rui Costa conquistou o benefício da dúvida de quem já tinha suas incertezas. A missão, como na canção, é “fazer o que ainda não foi feito”. Ele terá uma nova equipe diretiva ao seu lado e o primeiro passo para algum sucesso será mantê-la até 2029, após o que ocorreu com a anterior. Simultaneamente, deve criar um rumo, defendê-lo em tempos difíceis, tomar decisões no momento certo, equilibrar as contas sem desinvestir em um elenco desequilibrado, ganhar com este plantel milionário, fortalecer a academia e revitalizar modalidades importantes. Em suma, ser um líder. Algo que ele se mostrou incapaz até agora, a ponto de ser menosprezado nas declarações dos rivais. É apenas uma impressão ou tudo isso parece um campeonato que não é o seu? O tempo corre contra ele para provar o contrário. Um empate no domingo à noite foi suficiente para acender o alerta.

P.S. Não conheço pessoalmente João Noronha Lopes ou João Diogo Manteigas. Ambos parecem ter um interesse genuíno em devolver ao clube o sucesso almejado. Se conseguirão fazê-lo, não sei. E nunca saberemos. Entretanto, dizem que o segundo será o próximo grande adversário de Rui Costa em quatro anos, e, se o for, precisará carregar consigo muito desta eleição. Sua imagem não foi bem recebida, parecendo radical demais. E se o povo é avesso à mudança, será ainda mais a uma que pareça extrema. Noronha Lopes, já fragilizado pela dificuldade de comunicação, enfrentou uma campanha do presidente que foi tudo menos inocente. Por vezes, jogou-se sujo. Não houve misericórdia. Noronha e seus apoiadores não estavam preparados. Por isso, perdeu esta batalha — e acredito que a guerra.

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