Sporting Avança na Taça de Portugal Após Polêmica

Sporting Avança na Taça de Portugal Após Polêmica

Uma sensação de déjà vu. Assim como no jogo do campeonato, a história deste confronto na Taça de Portugal deve ser narrada a partir do seu desfecho. O mesmo estádio, as mesmas equipes, a mesma controvérsia e confusão, o mesmo vencedor e as críticas recorrentes dos derrotados à arbitragem. Desta vez, não foi um escanteio mal marcado que garantiu a vitória ao Sporting, mas um pênalti polêmico que proporcionou a chance de empate, levando a partida para a prorrogação, já com o Santa Clara reduzido a dez jogadores e as portas para os quartos de final abertas para os leões.

A missão do Sporting não apenas foi cumprida, mas também superada com o gol de empate, 2-2, aos 90+15’, após cerca de 11 minutos (!) para que o VAR alertasse João Pinheiro sobre a possibilidade de pênalti por mão de Tiago Duarte na frente de Hjulmand (90+1’). O gol da virada, marcado por Ioannidis, aconteceu já na compensação (97’). Este jogo certamente ainda gerará muito debate, mas ao final, selou a reentrada dos leões na corrida pelo Jamor. Uma entrega que faltou aos leões durante a maior parte da partida e que esteve muito mais presente nas pernas dos açorianos, que mais uma vez foram traídos perto do fim e depois não tiveram forças para a prorrogação.

Por obrigação ou escolha, Rui Borges fez mais de meia dúzia de alterações em relação ao time que goleou o Aves SAD (6-0) no sábado. Devido a mudanças na defesa, Diomande substituiu Eduardo Quaresma, e Geny Catamo entrou no lugar de Maxi, já que ambos estão a serviço das seleções para a CAN. O treinador também optou por trocar os goleiros, Rui Silva por João Virgínia; os laterais-direitos, Vagiannidis por Fresneda; os laterais-esquerdos, Mangas por Matheus Reis; e no meio-campo, Kochorashvili retornou ao lugar de Hjulmand, enquanto Morita, gripado, cedeu a titularidade a João Simões.

No esquema tático 4x2x3x1 de Rui Borges, a maior surpresa foi a escolha de Maxi Araújo para a ala direita, posição em que nunca havia atuado antes, com Alisson assumindo o lado oposto. As lesões e convocações para a CAN exigiram muita flexibilidade do treinador do leão.

Rui Borges esperava enfrentar um Santa Clara intenso e agressivo, mesmo com sete alterações na equipe açoriana. E foi isso que o técnico constatou logo nos primeiros cinco minutos, com dois avisos: remates de Gabriel Silva (2’) e Lucas Soares (4’) que testaram João Virgínia. O aviso estava dado.

O Sporting enfrentava dificuldades para ultrapassar a barreira defensiva do Santa Clara, que transformou o 3x4x3 em um 5x4x1 defensivo, fechando a área. O primeiro gol leonino veio apenas aos 12’ com uma excelente execução de João Simões, que, após receber a bola de Fresneda, rodopiou e finalizou com precisão. No entanto, esse gol, que poderia ter estabilizado a equipe, não se traduziu em domínio ou no jogo associativo característico do leão.

Os açorianos mostraram-se fortes nos duelos e, em alguns momentos, conseguiram trocar passes com perigo. Assim, aos 28’, Lucas Soares, após ganhar a disputa contra Matheus Reis, avançou para o centro e, de longe, finalizou com o pé esquerdo fora do alcance de Virgínia, empatando a partida. O empate no intervalo refletia as dificuldades enfrentadas pelos leões, que não criaram outras oportunidades de perigo além do gol.

A missão leonina se tornava cada vez mais difícil. Após uma entrada forte na segunda parte, com Alisson, Maxi e Luis Suárez (47’, 52’ e 54’), e sem aproveitamento, a situação se complicou ainda mais quando, aos 86’, Gabriel Silva, assistido por Luquinhas em uma rápida transição, fez 2-1, parecendo selar o jogo.

Parecia o fim da história, pois até aquele momento o Sporting continuava a perder duelos e a ser menos agressivo, sem incomodar Neneca. Nem mesmo as substituições de Ionnidis por Alisson e Blopa para a direita mudaram o cenário. Foi somente com Mangas e Flávio Gonçalves na esquerda, mas sem Paulo Victor no lado açoriano (expulso), que ocorreu o lance decisivo: o polêmico pênalti convertido por Luis Suárez, que recolocou o leão em jogo e em vantagem para os 30 minutos finais. A vitória do Sporting parecia iminente, e Ioannidis, de cabeça, confirmou essa expectativa.

Contudo, é certo que ainda haverá muita discussão sobre este lance e a saída do Santa Clara, que deixou o campo com um amargo sentimento de injustiça. A equipe açoriana merecia mais, enquanto o Sporting viu a classificação cair do céu, envolta em polêmicas.

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