Pedro Proença e os Desafios da Presidência da FPF
A presidência de Pedro Proença na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem sido marcada por uma série de conquistas notáveis, com a seleção nacional a conquistar cinco títulos internacionais em apenas oito meses. Entre essas vitórias estão a Liga das Nações, o Mundial sub-17 e o Euro sub-17 no futebol, o Euro sub-19 em futsal e a Liga Europeia feminina em futebol de praia.
Esse feito é, sem dúvida, impressionante e é natural que Proença sinta orgulho em seu mandato, que ainda é relativamente curto. No entanto, essa satisfação pode ser acompanhada por uma certa vaidade, especialmente em relação ao seu antecessor, Fernando Gomes, com quem as relações não são as mais harmoniosas.
Entretanto, surgem também más notícias. A memória institucional é um aspecto fundamental na vida das organizações, e o que Proença disse logo após a conquista do Mundial sub-17 não pode ser ignorado. Na ânsia de celebrar o sucesso, ele cometeu erros de interpretação significativos.
Proença afirmou que as seleções nacionais não conquistavam um título mundial há 24 anos, quando, na verdade, o último título havia sido conquistado há 34 anos (os sub-20 em 1991). Além disso, ele atribuiu erroneamente a conquista de 1991 a Gilberto Madaíl, quando o presidente na época era o falecido João Rodrigues. Em 1989, quem estava no cargo era Silva Resende.
Mais grave ainda foi a omissão de Carlos Queiroz, que foi o selecionador júnior nas vitórias de 1989 e 1991. Sem Queiroz, é difícil imaginar quanto mais tempo Portugal teria esperado pelo avanço qualitativo na formação que ele proporcionou, e a FPF deve uma eterna gratidão a ele.
Curiosamente, Queiroz estava em Doha durante a final do Mundial sub-17, assim como Nelo Vingada, que foi adjunto nas conquistas de 1989 e 1991, e Hélio Sousa, ex-selecionador sub-17, que também estava presente com a seleção do Kuwait. Será que a FPF os convidou para esse momento histórico na quinta-feira passada?
Por fim, é importante lembrar que nomes como Figo, Rui Costa, Jorge Costa e João Vieira Pinto, entre outros, ficaram na memória coletiva por suas contribuições durante os anos de 1989 e 1991. Assim como os verdadeiros heróis de 1991, como Anísio Cabral, Mateus Mide, José Neto, Romário Cunha e Daniel Banjaqui, que, com sacrifícios pessoais, elevaram o nome de Portugal e merecem ser reconhecidos.
No que diz respeito a Pedro Proença, é provável que, assim como ele esqueceu de mencionar um antecessor, também seja esquecido no futuro.